Como eu vejo a Medicina hoje…

Médicos e Medicina

 

Decidi dividir com você, leitor, uma visão muito pessoal a respeito da prática médica. Como eu vejo a Medicina, seu passado, presente e futuro. Procuro dividir também minha visão acerca do muito que já foi feito e o que podemos fazer para nos sairmos cada vez melhor na “arte de curar”. Divido com você, leitor, minhas dúvidas, angustias e dificuldades ao longo desses mais de trinta anos em que procuro entender o adoecimento e seus múltiplos vieses. Isto por que é com eles que lidamos todos os dias. Não existe “receita de bolo”. Quando nós médicos nos graduamos acreditamos que sim, se fizermos tudo “de acordo com a cartilha”, estaremos sempre acertando. Agindo assim, não perderíamos nunca um diagnóstico. Todos os pacientes ficariam curados, nada sairia do controle. No entanto, não é assim que acontece. Felizmente, para acertamos ou ao menos estarmos cada vez mais próximos de melhor ajudar nossos pacientes, basta mantermos a perspectiva. Basta estudarmos sempre, sabendo que nunca saberemos tudo o que devemos saber. Sempre existirá o que aprender.  Mas, ainda assim, mesmo sabendo que estaremos sempre fazendo o possível e dando o melhor de nós, várias vezes nos sentimos impotentes. Gostaríamos de poder fazer mais e nunca ter um insucesso a reportar.

Somos lembrados de vez em quando o quanto somos falíveis, também. Afinal, somos todos humanos, pacientes e médicos. Mais do que isso, não existe mágica para resolver a doença. O indivíduo aposta no médico como única solução para seus problemas e esquece que o médico pode sim ajudar e muito a retomar o caminho ideal. Porém, a longo prazo, se o indivíduo não participa do processo, como maior interessado que é, ficamos de mãos atadas. O médico não faz milagres. Não somos deuses. É equivocada a relação de distanciamento que sempre existiu entre médico e paciente. Mesmo quando existe empatia e confiança, esta postura é equivocada. Cada vez mais esta postura tem si- do objeto de discussão.

O assistencialismo (em todas as áreas) ainda é necessário, mas, sozinho, não atende à necessidade de devolver ao assistido a responsabilidade sobre sua vida, sobre sua sustentabilidade e sua cidadania. Da mesma forma, em relação à medicina, o indivíduo deve assumir as rédeas de sua saúde. O médico é um consultor e executor da estratégia necessária a cada momento para a retomada da saúde. Tanto a qualidade de vida ao longo deste processo quanto o desfecho melhor ou pior são construídos dia após dia pelo próprio indivíduo.

Sei das inúmeras possibilidades de expressão genética. Sei que cada um de nós é único, temos individualidades bioquímicas que fazem com que cada paciente mostre uma evolução um pouco (ou muito) diferente dos outros. As escolhas que fazemos a cada momento são determinantes. A vida de cada um de nós é feita de escolhas, mudanças de rotas e reorganizações possíveis em busca da retomada do melhor caminho para o objetivo desejado.

 

Será que não sei das doenças graves que existem? E mesmo assim, por mais graves que sejam não podem ser minimizadas ou retardadas em nome de mais qualidade de vida? Somos tão impotentes assim? Não acredito. A saúde é dinâmica e é uma conquista diária. Definitivamente não está nas mãos dos médicos, apenas.

 

Atualmente, a facilitação da informação é uma das tarefas do médico. Estou certa de que a educação em saúde é a forma ideal de se contrapor à doença. A prevenção só é eficaz quando paralelamente se promove a saúde através da educação. Informar é educar!

 

Uma das primeiras providências no sentido de devolvermos ao indivíduo a responsabilidade pela sua saúde passa necessariamente pela informação. Através da educação em saúde. Este é um dos objetivos deste blog: informar para conscientizar.

 

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