Não somos reféns da nossa genética!

Hoje sabemos que a longevidade depende mais do estilo de vida (73%) do que da carga genética (17%) ou outros fatores (10%), percentuais esses que foram estimados por diversos estudos conduzidos por universidades americanas. A epigenética tem se manifestado a respeito, endossando o viés estilo de vida como o fator mais importante na redução da expressão de genes defeituosos que levariam à manifestação da doença. Em outras palavras, não somos reféns da nossa genética como pensávamos. Podemos mudar nossa história. Podemos ser mais saudáveis do que nossa programação genética nos permitiria. Depende de nós!

Sabemos também que o estresse crônico da vida moderna é o grande vilão sendo responsável por 80% de todas as consultas médicas (Harvard).

Segundo Marie Bendelac e Wanda Quadra, wellness coaches   do www.becoaching.com.br   o controle do estresse através de  “…melhor gestão do tempo, mudanças dos fatores de risco para a saúde, redução do nível de ansiedade e aumento da resiliência…” é uma ferramenta poderosa quando a meta é promover saúde e atuar em prevenção primária.

Há cerca de 3 décadas vem evoluindo o movimento para mudanças do paradigma médico que sempre foi a identificação e o tratamento da doença, tão somente.

A doença está deixando de ser o foco da atenção médica. Queremos mais! Queremos nos antecipar a ela. Buscamos retomar um estilo de vida mais saudável para uma vida mais longa sim, mas com mais qualidade, principalmente.

Aprendemos muito ao longo desses anos. E temos revisitado as práticas milenares que foram substituídas pela visão míope da medicina ortodoxa, como hoje sabemos. Cabe aqui ainda um mea culpa a respeito do pensamento coletivo sobre saúde, de médicos, cientistas e todos os profissionais da área da saúde.

Mas a verdade é que evoluímos muito do ponto de vista tecnológico. Apesar de sermos capazes de salvar muitas vidas antes ceifadas devido a graves acidentes e traumas, além de doenças agudas infecciosas, no terreno da doença crônica degenerativa temos menos a oferecer em termos de qualidade de vida ao paciente, no longo prazo.

Em outras palavras, num ritmo bem mais lento, estamos reaprendendo a cuidar melhor do nosso corpo e mente objetivando uma crescente redução dessas doenças degenerativas, com aumento da qualidade de vida em paralelo à longevidade adquirida nas ultimas décadas, por conta da evolução tecnológica médica.

Ainda há muito o que fazer e a atenção deve estar voltada para a promoção de saúde para que a longevidade saudável possa ser uma realidade para todos nós.

A Medicina usa uma escala evolutiva para graduar os níveis de prevenção da doença (prevenção primária, secundaria, terciária e quaternária). Chamamos de prevenção primária o estágio pré-doença, quando ainda não existem sintomas ou sinais de doença, mas já observamos no organismo desvios de função para criar um novo equilíbrio possível.

Mas o que mais vemos hoje é a detecção precoce da doença através de prevenção secundária ativa (check-up). No estágio anterior poderíamos evitar a doença. Já na detecção precoce conseguimos reduzir (muito) o prejuízo funcional no longo prazo. Mas a doença está instalada. A medicalização é necessária qualquer que seja ela.

Prevenção ipsis literis seria a identificação desde cedo dos fatores de risco individuais através do terreno biológico de cada um, uma contribuição brilhante da forma de entender a doença, sugerida pela visão homeopática de adoecimento. É preciso revisitar conceitos ancestrais a respeito do desvio da fisiologia orgânica.

A máquina humana é maravilhosa e de uma beleza ímpar! Impossível de ser recriada em toda sua essência.

E essa máquina nos pede ajuda quando precisa e nos dá prazo suficiente para que a  ajuda chegue em tempo de realinhar parâmetros fisiológicos e iniciar a retomada do funcionamento viável para cada organismo, a seu tempo! Pena que nós ainda não estejamos completamente familiarizados com a linguagem do corpo. Em relação às doenças crônicas degenerativas ela, doença, avisa que vai acontecer. E há um hiato grande (de até 5 a 7 anos) entre as mudanças fisiológicas de compensação e a falência dos mecanismos de reequilíbrio. É quando a homeostase se rompe e sobrevém a doença, com seus sinais e sintomas característicos.

Nesse intervalo o indivíduo “nada sente” ou procura o médico com queixas mínimas, banais, aqui e ali mas, após exames complementares (ainda normais às custas de mudanças orgânicas tentando reverter o processo de adoecimento), ele sai do médico sem muitas respostas. Não tem doença detectável…ainda. Apenas queixas isoladas e não valorizadas.

A sensação de que já não é mais a mesma pessoa, que o organismo mudou existe. Mas ainda não é possível tratar o que efetivamente não pode ser diagnosticado (ainda). A doença ainda não se instalou. Mas esse é o momento em que a mudança é possível! O período em que a doença ainda pode ser evitada. Seja ela qual for. Um parêntese para lembrar que estamos aqui nos referindo sempre às doenças crônicas que tornarão o indivíduo refém de medicação para o resto da vida e não das doenças infeciosas ou inflamatórias por desequilíbrio pontual do nosso organismo, que se refaz num período breve e retoma o controle da saúde.

Mudar nossa história é possível! E desejável, uma vez que estamos mais longevos a cada dia devido ao avanço tecnológico em relação à manutenção da vida.

A questão agora é a qualidade de vida que vamos ter nos anos a mais que ganharemos de tempos em tempos, com a evolução da ciência. Longevidade saudável é a nossa meta! Plenamente alcançável e mensurável se individualizarmos o cuidado em relação à saúde.

A morte é inevitável e deveria ser consequência natural de uma vida plena e bem vivida. Evitamos falar nela, mas todos desejamos uma morte súbita, sem sofrimento, depois dos 80 ou 90 anos. Como no dito popular…” morrer como um passarinho”. Morrer de morte morrida. Morrer de velhice sim, mas sem doença incapacitante.

Mas o que se vê hoje é bem diferente. Uma morte anunciada, doida e sofrida, solitária e sem dignidade. Ligados a aparelhos em unidades de cuidados intensivos, geladas (física e emocionalmente falando) e isoladas do contato humanizado que tanto conforta! Às vezes um prolongamento desumano da vida, aqui e ali aliviados pelas unidades medicas de cuidados paliativos (ainda raras no nosso meio). Em fóruns permanentes a Ética Medica cuida do assunto, enquanto estatísticas mostram aumento nas ditas doenças crônicas degenerativas que nos levarão a essa situação caótica no fim da vida. Mas poderia ser diferente!

A morte em vida é quando estamos “vivos” ligados a aparelhos que mantém nossas funções básicas mas não sentimos mais a vida dentro de nós. Estamos muitas vezes em casa, acamados, cercados de cuidados, sim, mas “mortos” para a vida de relação e de felicidade que está nas pequenas coisas que já não podemos fazer, ter ou ver.

Meu avô ficou 13 anos deitado numa cama, lúcido, mas sem falar, só interagindo pelo olhar com um tubo para respirar e uma sonda para ser alimentado. Um cenário muito triste, inesquecível e apavorante que infelizmente ainda é comum nos dias de hoje. Levamos nossos queridos para casa, cuidamos deles, mudamos a dinâmica da casa, da família e em algum momento nos perguntamos se o sofrimento do doente e da família não poderia ter sido evitado.

Vamos optar pela vida! Pela saúde em vez da doença! A saúde na longevidade pode e deve ser uma meta comum a todos nós. Precisamos de orientação em nutrição, ter o apoio de um educador físico para eliminar de forma permanente o sedentarismo, além da ajuda de ferramentas de psicologia comportamental para aumentar nossa motivação e nos facilitar o alcance de metas em saúde. Além disso, claro, precisamos de políticas públicas que alcancem a população em geral, através de educação voltada para esses três pilares da saúde integral.

Um “check-up” é muito bom e faz o diagnóstico precoce ajudando muito no tratamento e sobrevida dos indivíduos, diminuindo muito as deficiências funcionais decorrentes da enfermidade.  Mas o gol deve ser sempre evitar a doença!

Muitos médicos brasileiros já estão engajados nessa causa há algum tempo. Muitos estão dando seu recado nas mídias sociais, através de livros, e-books e até mesmo em palestras e programas de TV. Cada um dando a sua contribuição para mudar esse cenário pobre que não é só da Medicina Brasileira.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) num manifesto significativo, através da Declaração de Alma-Atta nos anos 80 dava o passo inicial para alavancar as mudanças necessárias para mudar o cenário ruim que já se desenhava desde então. De lá pra cá as mudanças foram muito poucas. As expectativas não se mostraram realistas. Vivemos hoje epidemias de obesidade, câncer, diabetes e muitas outras doenças degenerativas crônicas, conforme previsto desde aquela época.

Na América o “Life Style Medicine” e o “The Spectrum” são iniciativas importantes na prevenção da doença e na veiculação de informação importante a respeito das causas das doenças e de como evita-las.

Aqui no Rio, um exemplo a ser seguido é o do programa TAKE CARE que aplica o conceito da “Medicina do estilo de Vida” em sua proposta de “ transformação do indivíduo nos aspectos físico, mental e social”.

Cito aqui a frase emblemática que eles usam: “Quando a dor da vida é maior que a dor da mudança, nós procuramos meios de quebrar velhos hábitos para superar e viver melhor”

Por que esperar para sentir essa dor?

Façamos as mudanças necessárias hoje, aqui e agora. Por uma coletividade mais saudável, feliz e capaz de atingir seus objetivos e realizar suas missões de vida.

Que a saúde seja o nosso mantra!

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