Porque comecei a escrever para leigos …sobre medicina

 

                É uma longa história de questionamentos, diferentes pontos de vista em relação ao “status quo”. A vivência da teoria, na prática do dia a dia.

Quanto mais estudava, quanto mais praticava, mais dúvidas e incertezas surgiam.

Seria o caso de estar me baseando em literatura não apropriada e/ou deixando de me guiar apenas pelo “padrão ouro” da medicina baseada em evidências? Estaria eu agindo desta maneira simplesmente para divergir? Ou era apenas a constatação de que a médio e longo prazo a terapêutica ortodoxa se mostrava distanciar cada vez mais da certeza curativa que eu tinha quando estudante de medicina e depois médica recém-formada? No começo de minha carreira, sem nenhuma dúvida, tinha uma fé inabalável no conhecimento acadêmico e na assertividade da conduta medica terapêutica oficial, a única opção cientificamente reconhecida.

Naquela época eu queria crer que o homem tinha o controle sobre a vida e a morte, a saúde e a doença. E o médico personificava “o salvador”, o gerenciador desse conhecimento e principal responsável pela qualidade de vida dos seus semelhantes.

Alguns (muitos) anos se passaram e o questionamento acumula incertezas e  decepção com a realidade médica em que vivemos. Avançamos muito rapidamente em direção a alternativas terapêuticas e diagnósticas, isso é verdade. Mas, ao mesmo tempo, os índices de saúde não acompanharam esses avanços.

Cada vez mais um número maior de indivíduos se torna prisioneiro de mazelas crônicas e são identificados pela “polifarmácia” ambulante que se tornaram. É incomum receber no consultório pacientes na faixa etária de 55-65 anos que não estejam usando pelo menos três drogas em regime diário. Elas foram prescritas para uso contínuo e por tempo indeterminado, algumas apropriadamente referidas como “de uso para o resto da vida”.

 

A isso podemos chamar “saúde”?

Definitivamente não!

Estamos mais longevos sim, mas artificialmente mantidos vivos por mais tempo. E será que é só isso que podemos fazer? Essa realidade é imutável?

Definitivamente não!

Mas estávamos no caminho certo. Onde nos perdemos no processo? O que fazer para mudar este cenário?

É difícil uma mudança de paradigmas, mas absolutamente necessária, da mesma forma que o é, mudar a forma de nos relacionarmos com o meio ambiente em que vivemos. Mas é possível sim, e muito mais fácil será, quando estivermos conscientes do nosso papel em relação à nossa própria saúde e bem-estar.

O médico pode e deve ser um consultor de saúde. É através dele, de seu conhecimento e da sua experiência que somos beneficiados pelas várias terapêuticas disponíveis. Porém saúde não é apenas a ausência da doença. Devemos ser capazes de ser agentes do nosso próprio bem-estar, conhecedores de nosso corpo e de seu funcionamento, uma vez que é através dele que “vemos e vivemos” a vida ao nosso redor. Cabe ao médico o papel de diagnosticar a doença e tratar, da melhor maneira possível, cada situação de ausência de saúde que se abata sobre nós, indivíduos.

Mas podemos (e devemos) nos inteirar de como auxiliar o corpo a manter o equilíbrio interno e evitar a doença, não para prescindirmos do médico, uma vez que pela nossa própria essência mortal isso é inevitável, mas para que possamos prolongar nosso bem-estar ao máximo, mantendo a qualidade de vida que sabemos ser possível ter. E para isto, não basta o cuidado médico, pontual, por melhor que seja, a cada vez que adoecemos. Cada um de nós deve retomar para si a responsabilidade de se manter saudável.

               Surgiu então a necessidade de passar adiante parte do conhecimento possível de ser compreendido pelo leigo. No caso deste blog, isto é feito para auxiliá-lo na compreensão do conceito de saúde em geral assim como já fiz em relação à doença ocular. Com isso, pretendo conscientizar o leitor a respeito da necessidade de investir na parceria médico-paciente e na observação de cuidados essenciais para garantir saúde a longo prazo. O conteúdo aqui veiculado é fruto de uma visão pessoal do binômio saúde-doença.

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