Informação como ferramenta essencial na prática médica!

 

“Information is the life-blood of the health care” A informação é a espinha dorsal (parte fundamental) do cuidado em saúde.

Li essa frase hoje no tweeter, postada por Hoyt Finnamore  e atribuida a Joshua Seidman,PhD  no evento “Mayo alumni meeting” (Clinica Mayo setembro 2011) .

É senso comum que a informação é ferramenta imprescindível para a educação em saúde. E hoje, mais do que nunca ela se faz necessária. Estamos numa cruzada médica contra a prevalência crescente das doenças crônicas degenerativas, a favor da qualidade de vida.

E comentários que pipocam aqui e ali sobre novas descobertas na área da saúde são absorvidos com avidez pela comunidade leiga. Quase todos os canais de TV (aberta e a cabo) têm um ou mais programas voltados para o esclarecimento das questões de saúde.

Nunca é demais lembrar que o consenso em Medicina e Saúde está longe de existir. Cada dia um novo dado alimenta o conhecimento e faz reavaliar normas e orientações. Penso que quando a informação sobre saúde é veiculada, o leigo deve ter acesso a opiniões diferentes sobre o mesmo assunto, no mesmo canal de informação (revista ou blog ou site) e de preferência a menção deve ser feita no mesmo artigo comentado. Essa informação é necessária para que ele entenda o processo que leva o médico a decidir, caso a caso, a melhor opção a cada momento.

E entenda que há necessidade de revisar os protocolos, periodicamente, para melhor cuidarmos da sua saúde.

Li um comentário a respeito de como a reposição do estrogênio em mulheres na menopausa beneficia a circulação sanguínea cerebral. O tratamento diminuiria a resistência das artérias e permitiria maior fluxo de sangue, que poderia estar associado a uma melhora da memória, segundo os autores. A matéria foi correta quando mencionou que ainda existe falta de consenso a respeito do beneficio da reposição hormonal em mulheres (climatério e/ou menopausa). No entanto apontou o achado a respeito das artérias cerebrais como um fator positivo provável.

Mas a vasodilatação cerebral percebida não autoriza inferir que a médio e longo prazos ela se apresentará como um ganho real no conjunto orgânico que significa o individuo e suas potencialidades de adoecimento.

O leigo fica confuso com informações dispares (opostas) sem a menção e comparação entre elas (em relação a riscos e benefícios a curto, médio e longo prazos). Ele precisa aprender as opções reais em cada caso e o que esperar delas. A escolha mais acertada, a cada momento depende da interação do leigo com o seu médico. E o que a comunidade médica pensa e discute pode e deve ser discutida fora do meio acadêmico sim, mas com todos os seus vieses. Apenas uma versão destacada (e isolada do conjunto) informa sim, mas não atinge o propósito maior de tornar públicos prós e contras de cada intervenção médica para que possamos ser mais assertivos nessa intervenção tentando estabelecer caso a caso a melhor estratégia terapêutica.

Aqui faço um “mea culpa”. Tenho comentado oftalmologia num blog destinado a leigos. Mas não tenho feito, em toda oportunidade apresentada, a contraposição que sugeri aqui. Muitas vezes apresento apenas a minha forma de ver a questão. Sempre me pareceu que, como disponibilizo links para outros sites que complementam ou mesmo apresentam uma visão diferenciada da minha a respeito do mesmo tema, conseguia (ou esperava) cumprir com o propósito de bem informar. Mas percebi que a apresentação, mesmo resumida, das divergências de opinião a respeito do cuidado medico é mais útil e eficaz em seu propósito de estimular o leigo a entender e ajudar o seu médico a cuidar melhor da sua saúde.

A discussão pública da saúde e de como é produzido (e conduzido) o conhecimento médico sobre ela pode fazer diferença significativa na administração desse saber e na condução das práticas que visam modificar para melhor os índices de saúde e qualidade de vida da população.

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