Dê uma chance à saúde!

Uma nova chance para sua saúde!

A respeito de mudança de estilo de vida, tive oportunidade de ler um texto de LUIZA FURQUIM em matéria veiculada pela revista SERGIO FRANCO&CDPI.

Uma nova chance para sua saúde” é o título da matéria. Além de listar 15 atitudes saudáveis o texto fala sobre a dificuldade de sair da zona de conforto, ou seja, de mudar um hábito antigo. Citando o presidente da Sociedade Brasileira de Programação Neolinguística (SBPNL), Gilberto Cury, ela dá cinco dicas para atingir metas e ainda fala sobre o “caminho das pedras” para quem efetivamente se compromete a mudar de hábitos. É difícil, mas não impossível!

Deve-se estar consciente de que mudar não é fácil, mas se é o que se pretende, as dicas são: não pensar numa meta inatingível a curto prazo, colocar no papel o que pode ser feito a respeito, pedir ajuda (a médicos e outras profissionais da equipe de saúde), além de trocar experiências com quem foi bem sucedido na mudança que você deseja para você. E, é claro, persistir!

No processo de coaching o passo a passo é basicamente o mesmo:

Foco na meta, planejamento cuidadoso, ação, comprometimento com o resultado e com a melhoria contínua!

A resistência à mudança de hábitos, mesmo sabendo das consequências a médio e longo prazo do seu comportamento de risco para esta ou aquela doença é o entrave maior para nós médicos no cuidado de nossos pacientes. Muitas vezes nos sentimos impotentes frente a desfechos anunciados com tanta antecedência e que não puderam ser evitados!

Além disso nós também somos reféns dessa dificuldade (alguns de nós). Quem não conhece um cardiologista que fuma ou um clinico sobrepeso? Antes de médicos somos indivíduos e temos as mesmas dificuldades que nossos pacientes. Mas apontarmos a melhor direção é suficiente? Com certeza funciona mais facilmente se somos exemplo do que pregamos.

Vamos todos mudar?

Aumentar a qualidade de vida na longevidade só depende de nós! Mas é tão mais fácil “empurrar com a barriga”, não é mesmo? Dizemos…ah, prefiro continuar assim e viver menos do que fazer esse esforço. Mas eu sempre lembro que morrer mais cedo é o de menos. O grande desafio é viver sem mobilidade, com dependência de terceiros, com dor crônica ou refém de uma máquina.

Mas vamos ser afirmativos. Podemos fazer a mudança que queremos ver no mundo. O comprometimento com a modificação dos fatores de risco para doenças crônicas degenerativas que crescem de forma alarmante ( “epidêmica” ) deve ser de todos nós!

Médicos e pacientes.

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Sobre a autodisciplina necessária à longevidade com qualidade de vida!

Um texto sobre qualidade de vida, bem estar e autodisciplina que foi escrito em 2006 pelo Dr. ALBERTO MOSA, colega de turma da Faculdade de Medicina da UFRJ.

O tema permanece pertinente e muito atual…

Ele diz:

“Todos somos, em princípio, uma existência em desequilíbrio. Cometemos erros permanentes no decorrer de nossa vida. Não há uma receita de caminho correto ou da falta de erros. Estes devem ser continuamente avaliados e corrigidos. Reflexão é a palavra chave para que se possa cada vez mais melhorar aquilo que se chama de qualidade de vida.

A educação, de nossa individualidade, de nossos sentimentos e o crescimento intelectual é o pilar para a criação da autodisciplina que nos fará superar as adversidades e consequentemente melhorar a qualidade de vida.

O nosso corpo é nossa casa, moramos dentro dele permanentemente!

Daí a necessidade primordial que o mantenhamos conservado para que os objetivos de bem estar possam ser alcançados. O que se vê hoje são as pessoas indo além dos limites do próprio corpo, cometendo excessos alimentares, usando drogas licitas e ilícitas, mantendo horários de trabalho e de vigília além daqueles que se suportam, tudo isso sempre alicerçado em justificativas sem fundamento e sem reflexão, tais como: eu gosto, eu quero, pouco me importa…

E outras semelhantes que só demonstram que o indivíduo, não teve e não tem um crescimento pessoal adequado e consequentemente sofre de uma ausência total de autodisciplina.

Grandes estudos internacionais de observação de doenças e seus tratamentos nos permitem alertar os pacientes para os caminhos de prevenção dos riscos de aparecimento de situações de desgaste físico acentuado, que acabam resultando na instalação de doenças agudas ou crônicas.

Hoje é muito fácil se prevenir doenças como Diabetes, Hipertensão Arterial, Insuficiência Cardíaca, Insuficiência Renal, Artroses e Degenerações de Coluna. E mais tantas outras doenças, além é claro, de existirem exames para detecção precoce de vários tipos de cânceres e mais do que tudo, as noções de segurança na prevenção de acidentes no trabalho e no dia a dia.

Apesar de tudo isto, as pessoas continuam na sua grande maioria, cuidando apenas das consequências de sua falta de cuidado com o corpo e a saúde.

Os médicos não podem cuidar de ninguém a não ser deles próprios, o que eles podem é ensinar e orientar os outros indivíduos, porém o tratamento é sempre uma decisão pessoal, resultado do crescimento interno e da autodisciplina de cada um”.

Foi um grande prazer ler seu texto.

Comentei com ele ter gostado do que ele pensa a respeito de qualidade de vida e a observação sobre a falsa relação entre “gozar de boa saúde”, ter saúde plena e equilíbrio pessoal. Mais ainda quando diz que somos “existências em desequilíbrio”. Esta é a expressão que melhor nos define como pessoas.

Todas verdades muito bem escritas.

Mas, o que nós médicos podemos fazer em relação aos que não têm autodisciplina para manter os cuidados necessários?

Um filho rebelde…deixamos de alertar sempre que possível a respeito dos maus hábitos ou ainda,deixamos de cuidar dele quando ele volta doente ou necessitado do nosso conforto?

Mas é doloroso pensar que poderíamos ter evitado este desfecho!

A pergunta é: existe alguma estrategia mais eficaz para tentarmos ajudar indivíduos a adoecerem menos, APESAR do seu pouco comprometimento consigo mesmos?

A FIRJAN deu o primeiro passo em relação a essa questão: deu treinamento a alguns médicos do seu quadro de funcionários e vai adotar  ferramentas de“coaching” na educação e promoção de saúde de seus associados. Está contratando psicólogos, nutricionistas e educadores físicos.

Vamos ver o que acontece.

Tomara que possamos multiplicar esses resultados e melhorar a qualidade de vida e o bem estar dos que nos procuram e da população em geral cada vez mais.

Rumo à longevidade saudável para todos!

A epigenética e o destino biológico

Discutindo a relação mente/corpo

O determinismo genético tem sido posto à prova desde sempre. Mas hoje, é universalmente reconhecida a importância do ambiente interno (mente) e externo (família, comunidade e meio ambiente) no desenvolvimento das doenças. A epigenética tem evidências concretas a respeito da capacidade de modificar a influência do código genético e com isso evitar o adoecimento. Em palavras da própria ciência, existiriam muitas variáveis capazes de influenciar e mesmo evitar a expressão de determinado gen causador desta ou daquela doença.

Trocando em miúdos, o fato de ter herdado a carga genética do diabetes mellitus ou do câncer de mama, por exemplo, não significaria certeza de vir a manifestar a doença. E aqui não me refiro à herança possível de quem tem um pai, mãe ou avós portadores da doença em questão. A observação é a respeito de indivíduos comprovadamente portadores dos gens “defeituosos”, potencialmente responsáveis por estas doenças.

Será que temos consciência da importância desta afirmação? Um grande passo à frente foi dado em relação ao controle do adoecimento.

Uma fala comum nos consultórios é aquela do individuo que ouve o seu diagnóstico expressando a certeza da sua inevitabilidade: “Ah…mas essa doença é comum na minha família…meu pai teve, meu irmão também…um dia tinha que acontecer comigo”

Como se fosse a única realidade possível!

A neuropsiquiatria tem se desenvolvido bastante na última década e com tecnologia de ponta vem produzindo evidências científicas de padrões bioquímicos comuns a várias manifestações de desorganização emocional (como na esquizofrenia, na bipolaridade, no transtorno do déficit de atenção /TDAH,entre outras). Têm sido evidenciados e estudados estes padrões distintos e, portanto não podemos dissociar mente e corpo como sugerem alguns. Ambos se submetem a códigos bioquímicos mutáveis e interdependentes.

Mas utilizando a analogia proposta, vejamos como o contrário pode ser pensado: a idéia (mente) sendo capaz de produzir alterações nas células do organismo, mudando o padrão de adoecimento. Há muito se sabe da influência da mente sobre o adoecimento do corpo. Além disso, o vemos o efeito placebo sendo validado pela comunidade cientifica, a prece ou oração sendo estudada (Universidade Johns Hopkins) como fonte de reequilíbrio orgânico e restabelecimento rápido em doentes hospitalizados. Então temos todo o conhecimento necessário para induzir modificações na herança genética e influenciar positivamente o desenvolvimento, melhorando a qualidade de vida.

A ancestral Medicina Chinesa com suas áreas de representação orgânica (o fígado fala da raiva, o rim do medo, p.ex.) e a iridologia mostrando a possibilidade do organismo sinalizar a característica emocional do individuo e a fragilidade de cada sistema nela representado…são alguns de muitos outros vieses possíveis. São tantas as direções que apontam para o entendimento de cada forma de adoecer, de distinguir um individuo do outro em sua mazela física que é improvável que utilizando essas ferramentas não sejamos capazes de nos anteciparmos às doenças crônicas dos quais somos vítimas quase todos na idade adulta (na melhor das hipóteses).

Interessante é a perspectiva da doença antecipada quando dizemos que “o corpo avisa que vai adoecer”, ”o corpo fala”. É uma verdade. E nesse estágio ainda temos o controle e podemos evitar a organicidade da doença, isto é, conseguimos reverter o dano e impedir sua “cronificação”. Onde aí sim a injúria ao tecido, a lesão ao órgão e a incapacidade de se manter a não ser com ajuda química (medicação).

Mas para isso, uma vez detectada a causa devemos ser capazes de mudar o estilo de vida e os hábitos que estão contribuindo negativamente e levando ao desequilíbrio. Insistir é bobagem e garantia de lesão futura. A única dúvida é em relação ao tempo que levará para cada um de nós termos que encarar a doença instalada.

Temos a faca e o queijo nas mãos. Então porque o aumento na prevalência das doenças crônicas? Porque é tão difícil para nós introduzirmos as mudanças necessárias para mudar este cenário?

Porque é tudo é ainda muito novo para a maioria de nós, porque é mais difícil introduzir novos hábitos na idade adulta ou porque é mais fácil deixar a vida nos levar (como no samba…) pra ver como fica depois?

Se alguns de nós deixamos de ver o conjunto e perdemos a perspectiva, os outros devem nos ajudar a reencontrar o “norte” e retomar a responsabilidade de cuidar da melhor forma do corpo que carregaremos até o fim desta jornada.

Uma parcela da comunidade cientifica (ainda pequena, mas bem representada) e alguns organismos públicos (nacionais e internacionais) tentam há pelo menos duas décadas mudar esse cenário. É um trabalho pesado, uma luta diária que precisa ser dividida com cada indivíduo. Cada um de nós tem papel importante na estruturação e implantação das mudanças necessárias.

Vamos nos juntar, somar para fazer a diferença. Como já disse Ghandi, “a única revolução possível é dentro de nós!”