Saúde: o que mudou em 20 anos?

Cuidados primários de saúde e o PSF (programa de saúde da familia):

No Brasil, a  imperativa necessidade de mudança na forma de ver a saúde e administrar a doença é reconhecida e discutida em todas as esferas há pelo menos 20 anos.

Algumas iniciativas já foram tomadas.

O Programa de Saúde do Adulto foi criado com o objetivo de “… formular e implementar políticas de saúde direcionadas à assistência integral à saúde do adulto, segundo diretrizes do Ministério da Saúde para a área, contribuindo para aumento na expectativa e qualidade de vida da população no Distrito Federal”.

Este programa pretende “prestar assistência à saúde do adulto focando nos programas de diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, dentro de um conceito de integralidade, mudando o foco de atenção na doença para atenção global de saúde, permitindo identificar os principais problemas que a afetam. Conheça o programa na íntegra em:  http://www.saude.df.gov.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=6838

Ações como esta estão sendo implementadas, sim.

Mas em ritmo, dimensão e formato que não terão o impacto necessário para efetivamente conseguir mudar o cenário da saúde a médio prazo. E sendo assim, incapazes de desacelerar algumas das epidemias deste século, em termos de doenças degenerativas.

Em 1978 a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF promoveram a Conferencia sobre cuidados Primários de Saúde que ficou conhecida como Conferencia de Alma-Ata, local em que foi realizada. Aprovada uma proposta de atenção primária em saúde, com enfoque prioritário em promoção e prevenção da saúde. A meta era atender a todos os membros ou segmentos da sociedade até o ano de 2000. Na ocasião, a OMS reafirmou que “a saúde não é apenas a ausência de doença e sim um completo bem-estar físico, mental e social”.

No Brasil, em 1988, a Nova Constituição Brasileira declarou que “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. Nesta ocasião foi garantido a todo cidadão, por lei, o acesso às ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde.

Em 1994 o Programa Saúde da Familia (PSF) foi criado com o objetivo de implementar o processo de mudança do paradigma que orientava o modelo de atenção à saúde da época. Alicerçado pelo comprometimento com um novo modelo que valorizava ações de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças e atenção integral às pessoas. Esperava-se que ele superasse o anterior, que se baseava na supervalorização das práticas da assistência curativa, especializada e hospitalar e que induzia ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos. Era um “novo modo de fazer saúde”.

Segundo o próprio Ministério da Saúde, eram tarefas do médico do PSF: realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos indivíduos e famílias, em todas as fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade.

Em 2005 numa avaliação publicada na Revista Latino-americana de Enfermagem, Rosa WAG e Labate RC  sugeriam que onze anos depois de implantado,o PSF “…não é muito diferente do modelo atual que infere que consultas e exames são equivalentes a soluções para os problemas de saúde”. Rosa WAG, Labate RC. “Programa Saúde da Família: a construção de um novo modelo de assistência”.Rev Latino-am Enfermagem 2005 novembro-dezembro 13(6):1027-34

Leia na integra, no link:   http://www.scielo.br/pdf/rlae/v13n6/v13n6a16.pdf

Avaliando a saúde segundo parâmetros aferidos no dia a dia do consultório médico na clínica privada, ainda hoje muito pouco mudou desde 1994, quase dezessete anos depois do “novo modo de (pensar e) fazer saúde”.

É chegado o momento de nos mobilizarmos. O inconsciente coletivo aponta outra direção para a saúde. A necessidade de mudança de foco no tratar da saúde hoje é cobrada pelo próprio paciente!  A Medicina ortodoxa, numa atitude pouco inteligente, para não dizer arrogante, não se permitiu complementarizar.  Não admitiu agregar valores conhecidos há muito tempo, em nome da tão falada medicina baseada em evidências. Cometeu aí um grande êrro!

Deixou passar, ao largo, a oportunidade de se agigantar, agregando todo conhecimento disponível e enriquecendo o arsenal de opções a oferecer para a retomada da saúde. Hoje existem várias medicinas, polarizadas sob as formas de Medicina ortodoxa e Medicina Alternativa ou Complementar ou Integral (prefiro essa terminologia).

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