Diferentes Medicinas: tratar ou prevenir

Intervenção terapêutica versus promoção de saúde

 

Algumas vezes somos questionados sobre as diferentes Medicinas e as diferentes formas de avaliação de Saúde. Cabem esclarecimentos.

Não vejo diferentes Medicinas. A Medicina é uma só. A forma de pensar a saúde e a doença é que varia. Nem vou falar de religião! Vou comparar com o futebol. Existe Futebol (ponto). Todos sabemos as regras de jogo. A finalidade é o gol…mas diversas são as formas de se chegar lá! Existem times que jogam na retranca outros não. E dependendo do resultado parcial de um jogo, os técnicos podem mudar de esquema tático. Hoje em dia os mais usados são o 4-4-2 e o 3-5-2 (segundo a wikipedia, por que eu mesma não entendo nada de futebol…)

Então em Saúde existem os que pensam (e atuam) no curto prazo, na doença aguda, instalada, nos sintomas atuais tão somente e usando medicamentos que abortam esses sintomas e livram o paciente das queixas pontuais. Na emergência médica essas ações salvam vidas. É uma medicina de altíssima qualidade e que vem aumentando o índice de longevidade. Mas na doença crônica sua eficiência deixa a desejar. A qualidade de vida não tem acompanhado a longevidade.

E há os que identificam como objetivo maior a prevenção da doença, não apenas seu tratamento.

Cada indivíduo tem sua herança genética, vive em ambientes e tem estilos de vida diferentes, que contribuem positiva ou negativamente para a expressão desses genes Além dos nossos genes herdados, carregamos possíveis mutações. Esse conjunto engloba o terreno biológico. Expressar ou não os genes significa adoecer ou não. E hoje sabemos pela Epigenética (um novo viés do estudo da genética médica) que nós podemos, sim, não expressá-los! Não somos reféns da nossa carga genética como pensávamos antes!

Identificando o terreno biológico do indivíduo e, sem deixar de resolver queixas pontuais, estabelecemos metas e criamos ações de médio e longo prazo para que o organismo retome seu equilíbrio em cada fase da vida.

A Medicina Biomolecular é uma das formas de pensar e fazer esse tipo de acompanhamento. Todas as formas de atuar na saúde podem levar a resultados positivos. Existem aqueles que só se tratam com homeopatia, outros usam o saber milenar da Ayurvedica ou da Medicina Chinesa. Eu sou mais eclética e penso que cada saber acrescenta e a intervenção hoje pode ser diferente da que faremos amanhã. Existem tipos de doença em que a homeopatia traz mais benefícios a longo prazo e menos danos colaterais do que a alopatia (p.ex. nas alergias). Todas as alternativas são válidas. Vai depender do momento usar uma ou de outra forma de ver e tratar do adoecimento.

Mas pensando em evitar a doença, se conhecemos o terreno biológico do indivíduo e os fatores de risco específicos podemos tentar identificar que direção o organismo está tomando ao ter que lidar com a predisposição e os fatores de risco ambientais e de estilo de vida.

Se identificamos desvios de rota temos que alertar o indivíduo para que faça as modificações necessárias para que o organismo retome a rota que mais provavelmente o livrará da doença. Não há como cobrir todos os possíveis vieses mas dessa forma teremos uma boa dianteira em relação à doença. No longo prazo isso significa longevidade mais saudável!

 

Um exemplo:

A avaliação de um exame plasmático (exame de sangue) pode ser feita de duas formas. A primeira buscando sinalizadores de doença (leitura alopática, ou seja, medicina convencional ortodoxa). A outra forma é fazendo uma leitura do terreno biológico, sinalizadores de possíveis áreas onde o organismo enfrenta maiores dificuldades para se equilibrar e que, portanto a médio e longo prazo se traduzirão em perda da homeostasia (equilíbrio orgânico) e consequentemente aparecimento da doença.

Em relação à insulina, os valores de normalidade indicados pelos laboratórios são valores obtidos estatisticamente analisando uma população X (pessoas doentes e sadias). Na visão da Medicina Biomolecular, o valor ideal da insulina seria entre 5 e 6. Como a discussão sobre manteiga e margarina, qual delas é pior para a saúde, em Medicina existe também interpretações distintas em relação aos valores dos exames plasmáticos. Eles mudam de tempos em tempos. Por ora, esses são os valores utilizados para avaliar predisposição. Um aumento desses valores a longo prazo significa “resistência à insulina” e leva a mudanças bioquímicas importantes que se traduzem mais tarde por alteração no metabolismo da glicose e aí sim, o diabetes tipo 2 seria diagnosticado.

Além disso não devemos nos esquecer de que um dado isolado não tem significado maior. Devemos sempre nos reportar aos resultados anteriores do mesmo exame naquela mesma pessoa (análise sequencial comparativa). A comparação dos valores obtidos em cada exame, de tempos em tempos é que sinaliza que algo não vai bem no organismo. Um exemplo bem próximo, minha mãe tinha insulina em torno de 6-7. Num determinado momento a insulina foi para 11 e (não por acaso) os triglicerídeos subiram muito. Essa fração da gordura do sangue pode expressar uma alteração no mecanismo de aproveitamento e armazenamento da glicose. Feita mudança de dieta, 4 meses depois a insulina estava em 8 (mais próxima do ideal dela). Isso num organismo octogenário, ou seja, em que o retorno ao equilíbrio é mais difícil uma vez que o envelhecimento cronológico significa também envelhecimento biológico. Ou seja, o retorno à normalidade das reações químicas de restauração é sempre mais difícil de acontecer quanto mais velhos ficamos.

Enfim, não existe apenas uma versão dos fatos. Várias leituras são possíveis, dependendo do que estamos buscando. “Saúde” pontual (hoje) de um lado ou saúde no longo prazo, para isso tendo que realinhar objetivos e resultados, em nova direção evitando assim um desfecho negativo futuro (evitável).

Nem sempre temos essa possibilidade em Medicina. Muitos dados desconhecemos. Mas em relação ao Diabetes Mellitus tipo 2, uma epidemia anunciada para este século (junto com câncer e Alzheimer), já temos muitos dados que facilitam a condução de muitos casos evitando (ou postergando) seu aparecimento na grande maioria dos casos. Isso quando o indivíduo entende o processo e as medidas necessárias para mudar o quadro. É senso comum que se você quer corrigir um comportamento tem que entender a causa dele, em primeiro lugar.

A resistência à insulina não existe apenas nos obesos ou sobrepeso. As doenças têm seu tempo de incubação se posso me referir dessa forma em relação às doenças crônicas degenerativas evitáveis. Em média o que se vê é um intervalo (“gap”) de 7 a 10 anos antes que um desequilíbrio bioquímico muito incipiente (ainda no início) se transforme em doença detectável. O organismo humano é uma máquina sensacional, maravilhosa! Ele faz de tudo para reparar os danos que nós (por ignorância ou teimosia) causamos a ele e a nós mesmos. E só então “joga a toalha e desiste”. Ele nos dá tempo para modificar o que pode ser modificado. Por isso se fala em “aprender a ouvir o corpo”. Existem vários livros a esse respeito.

O Alzheimer hoje está sendo visto como um tipo de diabetes (tipo 3) por conta do aumento da resistência à insulina observada a nível neuronal. Vale lembrar que o cérebro é movido à glicose! Mas se o metabolismo dela fica alterado, todas as outras reações que se processam no cérebro (utilizadas para manter seu perfeito funcionamento) são alteradas. E algumas áreas sofrem mais do que outras (p.ex. hipocampo).

A leitura de um exame de insulina, por exemplo, fica mais complicada numa mulher com SOP (síndrome de ovários policísticos) doença que não é dos ovários, apesar do nome. Nesse caso o problema está na hipófise (que regula os hormônios) e a desregulação ovariana é o primeiro sintoma. Estudos apontam a SOP como fator de risco (50%) para DM2 (diabetes mellitus tipo 2) em mulheres após os 40-45 anos. Então, na pratica clínica preventiva, toda jovem com diagnostico de SOP deve ser alertada para mudança de hábitos alimentares desde cedo para evitar o DM2. Por que arriscar?

A SOP depois que a jovem já iniciou o uso de anticoncepcionais desaparece e a disfunção hormonal (hipotálamo) fica mais difícil de identificar, uma vez que não existem mais aqueles sintomas que a levaram ao médico. E existem outras causas de hiperandrogenismo que não a SOP. A pesquisa e o controle devem ser feitos por especialista (endócrino).

Na faculdade de Medicina não aprendemos a prevenir doenças. Não da forma como vejo prevenção. Os exames de rotina fazem parte de uma estratégia de identificação precoce da doença. Pode ser considerada um tipo de prevenção. Hoje fala-se de prevenção primária, secundaria, terciaria e mais recentemente até prevenção quaternária. Mas penso que a prevenção mais eficaz é a que detecta e resolve fatores de risco modificáveis através de um olhar mais diferenciado. Quando esperamos para ver nos exames de rotina alterações significativas de adoecimento (padrão ouro da Medicina Alopática) estaremos tratando o indivíduo, não mais prevenindo a doença.

Da mesma forma quando se fala em usar drogas como forma de “prevenção” não me parece uma medida saudável. Os indicadores de saúde podem ser modificados com intervenção apenas em hábitos e estilo de vida. Pelo menos deve-se tentar de forma enfática antes da medicalização. Quantos indivíduos após cirurgia bariátrica deixam de usar remédios para pressão alta e diabetes? Mudaram a alimentação (forma e quantidade), mudaram os hábitos, eliminaram a doença (hipertensão e/ou diabetes). Se tivéssemos lá no início da vida deles feito as intervenções cabíveis teria sido necessária a cirurgia? O desfecho poderia ter sido outro? Qual o custo disso no futuro para esses indivíduos?

Desde a década de 80 várias declarações de apoio ao direito de saúde para todos (Alma-Atta, Ottawa e outras) vêm sendo patrocinadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde). A partir daí a “onda” de buscar saúde e não apenas tratar a doença vem sendo disseminada no mundo todo. Mas ainda estamos engatinhando! A Medicina Biomolecular nos oferece uma visão possível de verificação do terreno biológico do indivíduo para poder atuar preventivamente caso a caso. Mas não apenas substituindo uma droga industrializada por outra manipulada (prática comum, infelizmente). E sim intervindo de forma eficaz na mudança possível em relação a fatores de risco modificáveis. As estatísticas futuras validarão as hipóteses construídas a partir de modelos identificados por esta forma de pensar? Espero que sim. Algumas intervenções identificadas pelo modelo biomolecular hoje vêm sendo feitas por alopatas, dando respaldo a elas.

Mas o sistema de crença do indivíduo a quem se destina a orientação deve ser o mesmo do médico que cuida dele ou pelo menos sua visão de saúde e doença não deve ser diametralmente oposta. Nesse caso toda discussão (seja sobre religião ou futebol, etc. etc.) está fadada ao fracasso.

Ou nos direcionamos pontualmente para o tratamento da doença quando e se ela existir. Ou nos antecipamos a ela, mesmo sabendo que em algum momento teremos que redirecionar as intervenções em saúde, a cada novo conhecimento agregado. De qualquer forma não estaremos reféns da nossa genética. Essa é a minha forma de ver o binômio saúde-doença.

Cabe a cada um identificar a sua crença a respeito de saúde e que direção tomar. Se ela for tomada com consciência, baseada no que se acredita, qualquer que seja a decisão sempre será acertada e não existirão arrependimentos. É nossa decisão, faz parte de cada um de nós e de nossos valores. Ela não é apenas baseada na crença de um médico ou um amigo que podem até pensar estar ajudando mas estão oferecendo a crença deles a um indivíduo diferente deles.

A ciência existe, mas pode ser interpretada de formas distintas, todas elas fundamentadas em alguns protocolos e em “cases”. Os artigos científicos têm interpretações diferentes de acordo com os vieses possíveis. Não existe uma única verdade em Medicina (por isso existem formas diferentes de tratamento e todas se mostram de alguma forma eficazes em determinadas pessoas em determinados momentos).

Se ajudar leiam em algum momento de suas vidas (não precisa ser agora) o livro “YOUR MEDICAL MIND – how to decide what is right for you” um best seller (New York) de autoria dos médicos Jerome Groopman e Pamela Hartzband. É muito interessante e mostra como médicos e decisões médicas diferentes podem ser a melhor opção de uns e a pior de outros. Mostra, com vários exemplos reais, que só se arrependem de decisões tomadas, aqueles em que as decisões tenham sido tomadas desconsiderando seu sistema de crenças (individual). O que temos gravado em nosso subconsciente/inconsciente a respeito desse ou daquele evento médico em que tios, parentes ou amigos que tiveram a mesma doença e estiveram na mesma encruzilhada “se deram bem ou mal” com essa ou outra determinada intervenção. É isso que eles chamam de sistema de crença individual.

 

Mesmo que determinada intervenção leve a um desfecho que uns poderiam definir como pior, quando a escolha é feita baseada nas evidencias daquele momento e levando em conta o indivíduo e no que ele acredita, não se vê arrependimento. O sofrimento é menor em relação à decisão tomada! E seguem em frente com suas vidas de forma positiva.

A informação é importante, necessária e está disponível. O médico assistente é o primeiro a veicular essa informação e outras opiniões médicas são benvindas na medida em que o indivíduo ainda tem dúvidas. Não existe apenas uma verdade. As soluções possíveis devem ser analisadas.

Mas a decisão é individual.

 

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MEDICINAS: qual a diferença?

Medicina da Saúde  &  Medicina da Doença

Hoje, nós médicos, estamos aprendendo a entender e identificar o momento em que começamos a perder saúde. Conhecemos também a individualidade bioquímica e funcional para modificar rotas, corrigir estilos de vida e evitar o adoecimento.

images

A evolução da criança é acompanhada de perto pelo médico que faz puericultura. Os erros e acertos desta fase são monitorizados pelo profissional de saúde e a condução da evolução física é (ou deveria ser) plena e assertiva!

Por que, depois dessa fase não existe mais orientação para o desenvolvimento e manutenção do equilíbrio orgânico na melhor da sua potencialidade? Ajustes de rota , reorientação e adoção de rotinas para o retorno às funcionalidades orgânicas plenas…já não são mais buscadas pelo individuo nem são ativamente indicadas pelo profissional de saúde!

 

A Medicina da Doença é o que aprendemos nas escolas médicas e praticamos no dia a dia. Nós, indivíduos, passamos anos buscando remédio para novos sintomas que surgem. E médicos vivem de identificar esses sinais e sintomas, montar os quebra-cabeças de cada individuo, catalogando cada um nessa ou naquela doença conhecida (quando as peças se encaixam). Depois dessa etapa, a medicalização da doença identificada!

Alguns indivíduos reclamam que não se sentem bem, estão “diferentes”, já não são como antes…mas vão aos consultórios e clinicas e, apos  vários exames (inclusive de sangue e de imagem), os médicos dizem que eles estão bem. Não estão doentes. Qual o motivo das queixas então,perguntam… se sentindo incompreendidos em seu mal estar. É que ainda estão adoecendo, mas seus organismos se mantem hígidos pelos mecanismos de compensação…e não apresentam (pelo saber medico ortodoxo) sinais da doença em curso.

equilibrio organico     compendio de medicina

É bom lembrar que, em relação à saúde, somente quando TODAS as peças se encaixam (sinais e sintomas), identificando um determinado perfil (já estudado) é que podemos dar nome à doença e definir o tratamento (terapêutica).

O tempo entre as mudanças de rota (bioquímicas e funcionais) que acontecem dentro do organismo e a doença identificável (que tem um nome e um tratamento especifico) costuma ser muito grande: de 7 a 10 anos!

Nesse intervalo, o organismo tenta “apagar incêndio” e muda rotas , alterando as funções orgânicas aqui e ali, numa tentativa hercúlea de reequilibrar o todo (homeostasia).

homeostasia aula

homeostase

Ação essa que funciona por um tempo até que mecanismos homeostasicos tornam a “nova fisiologia”…ou nova forma de funcionar tão diferente da original que não é mais possível permanecer sadio. A doença se instala e  o corpo pede socorro. Aí entra a MEDICINA DA DOENÇA. O médico pode ajudar …muito…na emergência e na doença instalada! Ele (medico) salva e prolonga vidas, com certeza! Tem sido esse o papel da medicina ortodoxa. A longevidade é uma realidade incontestável…mas a qualidade de vida não acompanhou os anos de vida que ganhamos hoje!Mas…devagar e sempre estamos aprendendo a nos antecipar à doença. A entender e traduzir a mensagem subliminar que formatam as mudanças de rota ao longo do tempo e nos levam ao adoecimento, caso não façamos uma intervenção positiva e gradual!

A meta em saúde é não deixar que todas as peças do quebra-cabeça de cada indivíduo se encaixem! É reconhecer os fatores de risco e mantê-los adormecidos ou mesmo nos contrapormos a eles e eliminá-los de vez! Quebra-cabeças incompleto significa ausência de doença…ainda! Podemos reverter o processo se introduzimos mudanças de hábitos ao nosso dia a dia!

quebra cabeças em medicina

A degeneração orgânica acontece com o envelhecimento claro, mas se somos capazes de perceber as vias comuns catalizadoras da doença seremos capazes de envelhecer com mais qualidade de vida! Mantendo a mobilidade e a autossuficiência e permitindo o funciona- mento de todos os sistemas harmonicamente, mesmo que já não mais em plena função. Em outras palavras, otimizamos essas funções para que elas possam continuar somando esforços e mantendo a higidez do todo.

Saúde é equilíbrio!

idoso saudavel

Vamos ressignificar o envelhecimento! Podemos ser idosos com saúde. Apenas funcionando em potencialidade diferente de quando éramos jovens…, mas em equilíbrio! Palavra chave no processo de ausência de doença e envelhecimento.

Vale lembrar que a definição de saúde não é mera ausência de doença!

O que nos fez pensar que poderíamos seguir em frente sem procurar entender o que cada um em sua individualidade precisa para se manter bem…pelo tempo que levar nossas existências nesse planeta? O que nos liberou da necessidade de cuidar de nós e do nosso meio ambiente (interno e externo) para termos uma vida melhor?

Não viemos ao mundo com um “manual do proprietário”…então deveríamos ter aprendido a nos reequilibrar a cada dia…para ter uma vida saudável e feliz! Cada dia é uma oportunidade de fazer diferente o mesmo caminho. É assim na vida diária…por que seria diferente em relação à saúde?

ROTINA

Crescemos bem, chegamos até a idade adulta, vivemos bem até agora então…é só continuarmos a viver…da mesma forma. É assim que pensamos! Mas na realidade as estatísticas nos mostram uma outra realidade. É por esse viés que entendemos que não mudar o curso, em algum momento, antes do adoecimento, nos levará com certeza às doenças degenerativas crônicas não infecciosas que têm tirado a dignidade do nosso envelhecimento e morte!

A MEDICINA DA SAÚDE prioriza e ensina o retorno à homeostasia e as mu danças de rota necessárias para o equilíbrio orgânico, que é a chospitalhave da saú de e da longevidade.

 

A Medicina cuida de gente…, mas em seus dois momentos possíveis: saúde e doença. E não é por demérito que nomeamos a arte de cuidar da doença instalada, da doença que está matando hoje e amanhã de MEDICINA DA DOENÇA. Ela é imprescindível, sim.

 

Mas vamos entender e priorizar o conhecimento acumulado ao longo dos anos em relação à manutenção da homeostasia, através da promoção de saúde e da prevenção primária.

doutor obrigado

Vamos dar vez à MEDICINA DA SAÚDE para que possamos mudar os indicadores de saúde reduzindo as estatísticas de adoecimento, em todas as suas formas e devolvendo a nós, humanos, a qualidade de vida que podemos ter, do nascimento à morte.

 

NASCER, ENVELHECER E MORRER COM DIGNIDADE!

VAMOS NOS ANTECIPAR À DOENÇA!

VAMOS EFETIVAMENTE CUIDAR DA SAÚDE!

Minha memoria anda péssima…e aí, o que fazer?

 

A dificuldade em relação à memoria recente é  uma queixa prevalente principalmente no universo feminino. Alguns neurologistas se referem à “sindrome desatencional”,cada vez mais presente no dia a dia. Pouco tempo, muito a fazer,nós nos reconhecemos como indivíduos “multitarefas” …a desatenção aumenta porque você tem que dar conta (ao mesmo tempo) de um sem numero de detalhes diários!

O deficit de atenção (minimo quando é apenas uma característica da pessoa,quando não causa maiores transtornos no dia a dia; ou quando se identifica como “síndrome neuropsiquiátrica e requer tratamento químico ou apenas terapia cognitivo-comportamental) e a ansiedade podem a longo prazo levar à disfunção cognitiva mais preocupante uma vez que o “desgaste” de neurotransmissores cerebrais se dá mais rapidamente nesses casos.

Por isso a preocupação hoje não apenas com o “slow food” em relação à alimentação (para termos uma nutrição mais adequada às nossas necessidades diárias de manutenção da homeostase)…mas também com o “low profile”. Temos que desacelerar. Somente assim poderemos garantir qualidade no envelhecimento (do corpo e do cérebro).

Outra estrategia fundamental para o físico (eliminando as epidemias de obesidade e diabetes mellitus) e para a mente (lentificando o deficit cognitivo e recuperando a memoria recente) é a atividade física diária (exercicio aerobico -caminhada “rápida” ou “jogging” 4 a 5 vezes na semana). Outra é a alimentação funcional: a curcuma (açafrão) é um potente anti-inflamatório natural e tem sido citado com frequência em estudos sobre perda de memoria (estrategia que vem sendo estimulada em casos de declínio cognitivo leve como o do Alzheimer inicial).Poderíamos passar a fazer molhos para salada com açafrão e não comemos pelos menos durante a semana o arroz “amarelo” -no final de semana poderíamos nos dar o luxo de comida mais atraente para o paladar brasileiro. Que tal a sugestão?

Molho diário (básico) para salada: azeite extra-virgem, meio limão (ou vinagre para quem gosta mais e pode usá-lo),cúrcuma, pimenta preta (para potencializar a absorção da cúrcuma), e ingredientes opcionais e a gosto como: coentro,noz moscada,cominho,tomilho,salsa (outro excelente nutriente, que contém o mais eficiente antioxidante para o olho e para o organismo como um todo,que é o glutation!)

Até hoje não são conhecidos efeitos colaterais no uso alimentar da cúrcuma (não falo do uso de capsulas de cúrcuma  tão em moda (e por isso tão caras!),que contem doses bastante elevadas da substancia curcumina…com possíveis efeitos colaterais na multiplicação celular (câncer).

Tudo na natureza está em equilíbrio (ou deveria …antes do homem modificar).

A nutrição funcional (uso de alimentos contendo substancia presentes naturalmente na natureza) nos permite melhorar o que deve ser melhorado (uma vez que as necessidades mudam de tempos em tempos pela forma diferente de viver a vida), sem necessariamente causar danos mais tarde. Equilíbrio, homeostase é o que devemos buscar.

A Hipócrates é atribuída a frase: “deixa que o alimento seja o seu remédio”

 

 

Encontrei um site, entre vários, que fala “en passant” sobre a dificuldade diária de todos nós neste século

 

Oficina da memória

“Atualmente a rotina diária das pessoas costuma ser bem agitada. Fazemos tudo correndo: estudo, vestibular, trabalho, casa, filhos, academia…ate as crianças tem muitos compromissos! Com tanta correria nossa saúde mental fica de lado e passamos a cometer alguns esquecimentos e confusões que pioram nosso rendimento em geral, na escola, no trabalho ou na nossa vida pessoal.

Para isso o CAEPE criou a oficina Memória Viva. Nas sessões serão realizadas atividades diversas e dinâmicas que estimulam a atenção, concentração, percepção, memória, expressão verbal, raciocínio lógico, estimulação visual e espacial, proporcionando uma melhora acentuada nas capacidades de cada indivíduo”.

O site “gogglado” foi:

 

http://www.caepe.com​.br/servico/cursos-e​-oficinas#oficina

 

Mas existem várias oficinas de memória (pagas e gratuitas) para incentivar a criação de técnicas de “treinamento da memoria” .

Hoje não percebemos a necessidade delas (ah! basta colocar avisos na geladeira, anotar no “tablet”,cronometrar atividades…etc).

 

Mas se fizermos apenas isso, a longo prazo não iremos mudar muita coisa.

É como a capsula ou droga na alopatia. Na emergência ou no adoecimento ela funciona bem. Pode salvar vidas.Mas não tem diminuído a prevalência das doenças cronicas degenerativas, uma vez que não trata a causa do sintoma e sim o sintoma pontual.

 

Vamos pensar nisso!

 

Vamos pensar em promoção de saúde e em prevenção.

A Medicina eficaz a longo prazo é a Medicina da saúde e não a Medicina da Doença.

 

Doença: prevenção e tratamento

O medicamento e a estratégia não medicamentosa na condução do tratamento e da prevenção da doença

 

             O medicamento é a arma do médico contra a doença instalada. Ainda assim, seu uso deve ser muito bem avaliado, caso a caso, sob pena de comprometer sob vários aspectos, e de forma permanente, a capacidade de readaptação funcional daquele organismo em que atua. A droga auxilia a iniciativa orgânica de restauração da homeostasia, mas muitas vezes interrompe ou mesmo anula a capacidade de auto-suficiência necessária à manutenção da vida (reações químicas e físicas que se processam ininterruptamente minuto após minuto, dia após dia, ano após ano).

Estes ditos “efeitos colaterais”, se contínuos, podem inibir a autonomia orgânica e além de serem desagradáveis (significarem sinais e sintomas), contribuem para a perda definitiva do controle interno (do corpo sobre ele mesmo). A partir daí necessitamos indefinidamente (por toda a vida) da droga. E como estes efeitos geram outras modificações a longo prazo, cada vez mais precisaremos de mais drogas (diferentes) para controlar cada um destes novos efeitos colaterais. Daí a dependência química (medicamentosa) cada vez maior de que somos testemunhas hoje em dia.

“É um mal necessário!” dirão muitos. Não necessariamente dirão outros tantos. Eu me incluo neste último grupo. Se a cultura da prevenção fosse uma realidade, se pensássemos mais nas soluções mais simples, desde como evitar a doença em vez de pensar apenas ou tão mais a respeito do“tratamento”da doença já instalada, mudaríamos a realidade de hoje.

Os check-ups são necessários, mas não são “preventivos”. Eles são importantes, nos informam mais precocemente sobre as doenças e os estados de desequilíbrio sobre os quais devemos agir para eliminar (ou lentificar) o processo patológico e mudar o desfecho esperado.

Porém, existe um hiato muito grande entre a saúde e a doença. Deste espaço a medicina não se ocupou como deveria. Os exames laboratoriais, por exemplo, são capazes de detectar o que está muito diferente da “normalidade”, do padrão. No entanto, cada vez mais os médicos têm tido que aprender a perceber e lidar com estados sub- clínicos das doenças. Em outras palavras,situações em que o individuo tem sintomas vagos, sabe que algo está errado com ele, que algo mudou e precisa ser “consertado” e o médico não encontra nenhuma anormalidade bioquímica, de imagem ou qualquer outra ligada à propedêutica conhecida (formas de analisar cada doente para se chegar a um diagnóstico).

A evolução do quadro, depois, confirma muitas vezes suspeitas que não puderam ser comprovadas antes, dificultando tomadas de decisão que poderiam ter modificado o desfecho.

Como a saúde exige uma percepção dinâmica e a doença pode ser pontual, nos acostumamos a perceber e definir a doença pelos sintomas que nos afligem. Mas a doença não acontece “do nada”,”sem aviso prévio” ou “da noite para o dia”, mesmo nos processos infecciosos!

Somos expostos aos mesmos vírus (por exemplo), no ambiente de trabalho, no transporte público, nas áreas de lazer. Nas epidemias freqüentamos e dividimos os mesmos espaços geográficos, mas o percentual da população que fica doente é sempre muito menor do que aquele que foi exposto.

Sabemos a resposta: a imunidade de cada um de nós. Esta arma é individual, específica e intransferível (exceto no período de lactação, quando a mãe protege o bebê com seus anticorpos). Sabemos também como ajudar cada organismo a aumentar suas defesas, ou por outro lado, o que leva cada um de nós a perder a capacidade de nos defendermos desses “ataques” diários. Por que não utilizamos este conhecimento em  maior escala para tornar desnecessária a intervenção medicamentosa que a longo prazo modificará o organismo (e não para melhor, com certeza)? A autonomia funcional do organismo deve ser buscada sempre, e em primeiro lugar!

Qualquer dependência física ou química deve ser rejeitada em benefício de melhores resultados em relação à manutenção do estado de saúde.

           

A intenção não é polemizar, apenas informar.

O conhecimento médico a respeito de saúde

As “várias medicinas” podem se ajudar com estratégias complementares, não excludentes.

O conhecimento sobre saúde é muito mais amplo do que se admite e tem sido sub-utilizado pela Medicina Convencional.

Não sou contra o desenvolvimento científico. Obviamente, reconheço os benefícios da tecnologia e dos avanços em diagnóstico e tratamento dos dias atuais. Apenas penso que estamos voltados tão somente para um ângulo da questão. Se a ênfase fosse preventiva, se investíssemos mais na saúde e não na doença, a longevidade com certeza estaria acompanhada de mais qualidade de vida. Mas hoje o cenário ainda é outro.

Por que não implementar mais estratégias de promoção de saúde e de prevenção de doenças? Por que não conduzir mais pesquisas cruzando os dados epidemiológicos e estatísticos com os antropométricos e outras características familiares e individuais, hábitos alimentares e estilos de vida? Sem dúvida agregaria mais valor, mas penso que muito já se disse (e se diz) a respeito.

Um grande divisor de águas nesse sentido foi o trabalho do Dr. Dean Ornish cardiologista americano do Preventive Medicine Institute e da University of California, autor de vários livros que relacionam a mudança de estilo de vida à alteração da expressão genética, contrariando o que sempre se disse: “os genes são os principais determinantes da saúde e não são modificáveis”.  Ele ensina que “… intervenções simples, baratas e de baixa tecnologia…” mudam o seu estilo de vida e isso pode mudar seus genes, sim! Podemos nos antecipar à doença, evitá-la, modificar seu curso ou reverter prognósticos negativos. Já temos este conhecimento.

Falta bom senso, iniciativa popular e vontade política. É verdade que falta investimento maior em educação para a saúde, estimulando o interesse da população. Mas falta também interesse do médico e de outros profissionais da área de saúde. Eles deveriam ser os vetores da disseminação desta “nova” forma de entender a saúde e combater a doença.

Nós médicos ainda não percebemos que o caminho que temos percorrido é equivocado. Que a intervalos curtos, cada vez mais curtos, tudo fica obsoleto, mudamos conceitos, drogas e estratégias rápido demais para percebermos, mais tarde, que não  houve ganho importante. A abordagem continua errada.

Não devemos apenas continuar buscando drogas milagrosas para resolver as doenças, investindo para isso todo tempo e dinheiro. Deveríamos ser capazes de nos antecipar aos eventos, identificando possíveis causas e estratégias para fazer frente a eles. Ou pelo menos, como se faz em economia, dividir para multiplicar, ou seja, invéstir nessas várias frentes para resultados mais eficientes a longo prazo.

Cada caso é sempre um caso diferente. A experiência adquirida no exercício da profissão, num aprendizado contínuo, se traduz em assertividade cada vez maior em relação aos diagnósticos feitos. E a capacidade de discernimento de cada médico deve ajudá-lo a decidir em função dos sinais e sintomas e principalmente do organismo que está doente, levando em consideração as suscetibilidades individuais e, porque não, as crenças de cada um a respeito de saúde.

Hipócrates (e outros médicos antes dele) defendiam uma medicina voltada para a saúde, no sentido de ajudar o organismo na sua constante busca da homeostasia ou equilíbrio interno. Equilíbrio este que seria conseguido à custa de reajustes nos processos bioquímicos mantenedores do funcionamento ideal dos órgãos e sistemas do corpo humano. Nosso organismo está capacitado a retomar a normalidade funcional através desses ajustes diuturnamente levados a termo. Cabe à terapêutica médica auxiliar esse processo quando o corpo esgota as suas próprias possibilidades.

Lembro ainda que quando falo em agir conforme a medicina complementar não significa substituir a terapêutica convencional onde e quando ela não pode nem deve ser substituída. 

Quando você está gripado, toma apenas vitamina C, um descongestionante e vai pra cama? Ou toma também um chá quente (de preferência de equinácea ou similar, quando não existe contra-indicação para este fitoterápico), opta por não se alimentar com muito carboidrato simples (açúcar e doces que, além de você, os vírus também adoram!) e prefere sopas de legumes ou a canja da mamãe (hum… delicia!) além de fazer gargarejos com água morna, sal e limão ou romã?…

São estratégias complementares e não excludentes que podem acelerar o processo de cura, devolvendo mais rapidamente o bem estar ao doente. Então porque não usar?

E já que falei da equinácea (fitoterápico que estimula a imunidade), aproveito para lembrar que ela deve ser evitada em indivíduos portadores de doença auto-imune. Nestas pessoas, o fitoterápico pode induzir uma piora rápida da doença. E pensando bem, se a equinacea é capaz de acelerar a doença causada por excesso de imunidade (característica da doença auto-imune) como podemos negar suas propriedades imunoestimulantes? Porque ela ainda é desconhecida da maioria de nós, médicos ortodoxos?

Pensemos a respeito!

Saúde: o que mudou em 20 anos?

Cuidados primários de saúde e o PSF (programa de saúde da familia):

No Brasil, a  imperativa necessidade de mudança na forma de ver a saúde e administrar a doença é reconhecida e discutida em todas as esferas há pelo menos 20 anos.

Algumas iniciativas já foram tomadas.

O Programa de Saúde do Adulto foi criado com o objetivo de “… formular e implementar políticas de saúde direcionadas à assistência integral à saúde do adulto, segundo diretrizes do Ministério da Saúde para a área, contribuindo para aumento na expectativa e qualidade de vida da população no Distrito Federal”.

Este programa pretende “prestar assistência à saúde do adulto focando nos programas de diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, dentro de um conceito de integralidade, mudando o foco de atenção na doença para atenção global de saúde, permitindo identificar os principais problemas que a afetam. Conheça o programa na íntegra em:  http://www.saude.df.gov.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=6838

Ações como esta estão sendo implementadas, sim.

Mas em ritmo, dimensão e formato que não terão o impacto necessário para efetivamente conseguir mudar o cenário da saúde a médio prazo. E sendo assim, incapazes de desacelerar algumas das epidemias deste século, em termos de doenças degenerativas.

Em 1978 a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF promoveram a Conferencia sobre cuidados Primários de Saúde que ficou conhecida como Conferencia de Alma-Ata, local em que foi realizada. Aprovada uma proposta de atenção primária em saúde, com enfoque prioritário em promoção e prevenção da saúde. A meta era atender a todos os membros ou segmentos da sociedade até o ano de 2000. Na ocasião, a OMS reafirmou que “a saúde não é apenas a ausência de doença e sim um completo bem-estar físico, mental e social”.

No Brasil, em 1988, a Nova Constituição Brasileira declarou que “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. Nesta ocasião foi garantido a todo cidadão, por lei, o acesso às ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde.

Em 1994 o Programa Saúde da Familia (PSF) foi criado com o objetivo de implementar o processo de mudança do paradigma que orientava o modelo de atenção à saúde da época. Alicerçado pelo comprometimento com um novo modelo que valorizava ações de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças e atenção integral às pessoas. Esperava-se que ele superasse o anterior, que se baseava na supervalorização das práticas da assistência curativa, especializada e hospitalar e que induzia ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos. Era um “novo modo de fazer saúde”.

Segundo o próprio Ministério da Saúde, eram tarefas do médico do PSF: realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos indivíduos e famílias, em todas as fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade.

Em 2005 numa avaliação publicada na Revista Latino-americana de Enfermagem, Rosa WAG e Labate RC  sugeriam que onze anos depois de implantado,o PSF “…não é muito diferente do modelo atual que infere que consultas e exames são equivalentes a soluções para os problemas de saúde”. Rosa WAG, Labate RC. “Programa Saúde da Família: a construção de um novo modelo de assistência”.Rev Latino-am Enfermagem 2005 novembro-dezembro 13(6):1027-34

Leia na integra, no link:   http://www.scielo.br/pdf/rlae/v13n6/v13n6a16.pdf

Avaliando a saúde segundo parâmetros aferidos no dia a dia do consultório médico na clínica privada, ainda hoje muito pouco mudou desde 1994, quase dezessete anos depois do “novo modo de (pensar e) fazer saúde”.

É chegado o momento de nos mobilizarmos. O inconsciente coletivo aponta outra direção para a saúde. A necessidade de mudança de foco no tratar da saúde hoje é cobrada pelo próprio paciente!  A Medicina ortodoxa, numa atitude pouco inteligente, para não dizer arrogante, não se permitiu complementarizar.  Não admitiu agregar valores conhecidos há muito tempo, em nome da tão falada medicina baseada em evidências. Cometeu aí um grande êrro!

Deixou passar, ao largo, a oportunidade de se agigantar, agregando todo conhecimento disponível e enriquecendo o arsenal de opções a oferecer para a retomada da saúde. Hoje existem várias medicinas, polarizadas sob as formas de Medicina ortodoxa e Medicina Alternativa ou Complementar ou Integral (prefiro essa terminologia).

Médicos repensando a Medicina

Algumas opiniões há muito conhecidas:

“… no mundo atual tão doente, o grande desafio para um médico é tornar-se um “promotor de saúde da comunidade no sentido mais amplo. Para que os futuros médicos sejam melhor preparados para enfrentar os problemas atuais de saúde, há necessidade de mudanças profundas em nossas faculdades de medicina. Os médicos precisam aprender a trabalhar com a comunidade inteira, não apenas com indivíduos doentes. Precisam aprender a compartilhar seus conhecimentos, a desmistificar suas habilidades…” Dr. David Werner é diretor de HealthWrights, Workgroup for People’s Healths and Rights  e coordenador regional do Conselho Internacional de Saúde dos Povos para a América do Norte na Califórnia. Ele apresentou esta palestra em 1990, durante o 40º encontro anual da Associação Americana de Estudantes de Medicina, Arlington, VA, EUA.

Quanto mais jovem o médico, mais invasiva e reducionista é a sua visão da Medicina, menos ele vê o todo, ocupado que está em tratar a doença e não o doente! Mas a culpa não é dele. A construção do conhecimento é antes de tudo papel da Instituição de Ensino. E, quem ensina? O médico mais velho, mais experiente. Este com certeza já se questionou (ou foi questionado) a respeito da falência do modelo atual. Mas então porque apenas alguns de nós assumimos a necessidade de mudança? Se o próprio indivíduo leigo, já busca (ativamente) alternativas ao modelo oficial, por que continuamos a ignorar o movimento crescente em direção à humanização da medicina e contra o reducionismo cientifico?

A esse respeito já foi dito:

“… A maioria das faculdades de medicina do mundo prepara o médico não para a saúde da população, mas para se dedicar a um exercício da medicina que é cego para tudo que não seja a doença e a tecnologia para tratar dela…” Dr. Halfdan Mahler Ex-Diretor Geral da Organização Mundial da Saúde, diretor do Primeiro hospital de ensi- no de medicina natural na Grã-Bretanha.

Mas,

“… A idéia de assumir a responsabilidade por sua própria saúde é tão estranha à maioria das pessoas que é assustador. Quão mais confortável é pôr nossas vidas nas mãos de outrem, como o médico…” disse o Dr. George Spaeth, médico oftalmologista do Wills Eye Hospital.

A Medicina da saúde está ao meu e ao seu alcance e a medicina da doença é do que nos ocupamos nós, os médicos.

“… doença é da responsabilidade do médico, dos cuidados da enfermagem, da organização hospitalar e da sociedade como um todo organizado, porém a saúde é responsabilidade de cada um de nós…”

             “… saber da tendência natural que o corpo tem à saúde e como é válido o princípio da homeostase, que significa equilíbrio e tendência natural à saúde…”

“… a humanidade está doente física ou emocionalmente porque está vivendo fora de seus padrões naturais, e estes doentes muitas vezes não têm conhecimento de seu estado de saúde, tornando-se dependentes de produtos químicos e farmacêuticos…”. Estas são três frases extraídas do livro de outro médico, Dr.Antonio Quintanilha:  “Coluna Vertebral: segredos e mistérios da dor”– AGE Editora, 2002

Com o avanço tecnológico e científico temos visto mudar celeremente os conceitos em muitas áreas do conhecimento humano. Na Economia, na Engenharia, no Direito e muitas outras. Na Medicina não tem sido diferente. A quantidade de informação é tanta que para darmos conta dela com a máxima eficiência tivemos que dividir com outros profissionais o conhecimento em saúde. A Biomedicina, a Engenharia Genética, a Engenharia de Alimentos são algumas das parcerias que nos ajudaram a reformular nosso pensamento a respeito do cuidado médico. Depois que aprendemos que a expressão da doença não depende unicamente da genética e que podemos intervir de forma bastante eficaz na prevenção, muito se tem falado em promoção de saúde. Seria talvez o momento de nos dedicarmos a uma nova área de especialização médica para que, no dia a dia, possamos nos encarregar de oferecer aos pacientes a informação e os cuidados necessários para uma maior qualidade de vida na longevidade.

Nós médicos, com certeza e cada vez mais queremos ajudá-lo na tarefa de manter a sua saúde.

Apenas tenha um pouco de paciência conosco (médicos) porque apesar de bem intencionados ainda somos muitos com dúvidas a respeito da multiplicidade de opções e de como utilizar tudo que sabemos hoje. Outros ainda manifestam grande ceticismo em relação à eficácia da intervenção médica através de recursos outros que não a medicação alopática e o trabalho pontual com a doença.

O viés não ortodoxo em relação à saúde e ao tratamento do indivíduo não é tolerado pela maioria dos médicos. A comunidade científica se fecha em torno da medicina baseada em evidências em detrimento de um olhar mais generoso em seu entorno. Ao conhecimento milenar adquirido em todas as áreas relacionadas à saúde não é dado sequer o beneficio da dúvida.

E esta integração entre as “medicinas” poderia ser tão bem explorada! O reducionismo médico-científico (alopatia) aliado à medicina do todo (meio ambiente e ser humano psico-fisico-social) contemplariam as múltiplas manifestações e causas de ausência de saúde. Menos iatrogenia e provavelmente mais qualidade de vida é o que teríamos no longo prazo.

 

Muito se faria pela saúde se pudéssemos repensá-la sob novas bases!


Iatrogenia refere-se a um estado de doença, efeitos adversos ou complicações causadas por ou resultantes do tratamento médico. Contudo, o termo deriva do grego iatros (médico, curandeiro) e genia (origem, causa), pelo que pode aplicar-se tanto a efeitos bons ou maus. Em farmacologia, o termo iatrogenia refere-se a doenças ou alterações patológicas criadas por efeitos laterais dos medicamentos.  http://pt.wikipedia.org/wiki/Iatrogenia.

A Medicina e o cuidar da saúde

A Medicina ortodoxa não priorizou a visão do todo. Ela considera tão somente um órgão, tecido ou sistema a ser reparado na doença. Mais ainda, ela não admite estratégias terapêuticas diferentes daquelas ditadas pelo cientificismo da visão ortodoxa, alopática.

Penso que não se deve eleger nenhuma forma terapeutica como verdade única. Acredito que todas sejam ferramentas úteis, a cada momento, e em cada caso. E que não existe apenas uma única forma ideal de tratar um doente. Isso porque ainda acredito na capacidade ímpar de restabelecimento do organismo. E para mim, tratar deve ter o significado de ajudá-lo a voltar à situação de homeostasia, com o mínimo desgaste possível. Lembra da bateria que vai perdendo energia, como eu disse em outro post, e em determinado momento não consegue mais retomar a tarefa de manter o equilíbrio? Mínimo desgaste possível significa procurar manter inalteradas as rotas bioquímicas pré-estabelecidas. Isto só é possível se as drogas sintéticas forem utilizadas cada vez menos e por menos tempo.

E todas as formas de cuidar serão úteis, pontualmente, no tratamento de cada indivíduo, e específicas para ele, uma a cada momento. Mas nenhuma delas deverá ser usada cronicamente na manutenção do estado de saúde. Esta tarefa deverá ser devolvida ao próprio organismo. No longo prazo, todas elas, drogas alopáticas, fitoterápicas e/ou suplementação biomolecular são indesejáveis, a não ser na situação de manutenção da vida, quando o organismo já perdeu a capacidade de retomar o controle e a homeostasia. Neste caso específico, sem dúvida, a alopatia é opção única.

O que questionamos é a excessiva valorização da doença em detrimento da promoção de saúde. E lembramos ser mais importante valorizar a prevenção das emergências que a medicina oficial trata, com sucesso, para ver, depois de algum tempo, o retorno do mesmo paciente a situações de risco igual ou maiores que aquelas dos quais o socorreu essa medicina organicista.

          Nós estamos vivendo a era da globalização, da visão do macro, do olhar à distância. A Medicina parece andar na contramão da sua época quando se torna, cada vez mais reducionista, localizada. Especialidades, sub-especialidades, avaliações míopes, cada vez mais olhando apenas o órgão doente, tratando aquela célula diferente. Mas nada no organismo funciona isoladamente!   Ele é uma máquina  de múltiplas funcionalidades, mas todas fazendo parte de um ambiente controlado com perfeição pelo conjunto de órgãos que se auxiliam na busca da manutenção do equilíbrio orgânico.

          Pare e pense!  Desde que nascemos essa máquina passa por mudanças, trilhões de vezes a cada dia, programada que foi para nos auxiliar a manter a vida pelo tempo que puder ser usado o seu sistema de compensação. E cada vez mais o organismo está ocupado em nos proteger de todas as múltiplas formas de agressão que nos atingem.O caos ambiental não difere do caos interno vivido hoje, por muitos de nós .Fomos os responsáveis pela destruição ambiental, assim como somos responsáveis pela falta de saúde (cada vez maior)!

Ainda podemos mudar este cenário!

Mantendo a saúde

Você nasceu saudável, não é portador de nenhuma anomalia genética,tem tudo para ter muita saúde por um longo tempo! Viver já é uma experiencia e tanto,dirá voce!  Mais ainda tentar não adoecer no mundo de hoje,não é?

Não é bem assim…

Viver sem saúde é bem mais difícil, com certeza. Mas o que precisa ser discutido é como fazer para ter saúde. Não temos um manual à nossa disposição. Será que não? Nas escolas se discute sexo, existe consenso em relação à necessidade de educação para o sexo fora do ambiente familiar. A função de alerta em relação à procriação não consciente e às doenças sexualmente transmissíveis, foi assumida pelo poder público para minimizar os danos que viriam, com a evolução natural para o caos na saúde, acelerada pela pandemia da Aids (Sida).

Hoje vemos crescer a prevalência de doenças ligadas à opção equivocada que fizemos pelo fast-food e pelo sedentarismo conseqüente ao ritmo desenfreado da era pós-industrial. Não podemos “perder tempo”. Vivemos uma era “acelerada” em que tudo nos é facilitado. Dos shakes e sanduiches que substituem a refeição aos carros, controles remotos e facilidades eletrônicas. As anunciadas epidemias de obesidade, câncer e diabetes tipo 2 sobrecarregam cada vez mais as unidades de saúde ( públicas e privadas ). Tornamo-nos cada vez mais, doentes crônicos, reféns de nós mesmos.

Mas você sabe que depende somente de nós a iniciativa de mudar este cenário?

A mesma estratégia em relação às doenças sexualmente transmissíveis deveria ser usada para ensinar a ser saudável. Em alguns países, faz parte da grade curricular a matéria “economia doméstica”, preparando o jovem para a vida adulta. Assim deveria ser com a orientação para a saúde, que deveria estar presente desde a infância. Em todas as fases do desenvolvimento do indivíduo. Este aprendizado é lento e deve ser contínuo. Não é matéria para um período único.

Até agora o que temos visto são ações voltadas para saúde sim, mas pontuais. Relacionadas às epidemias de gripe e outras doenças infecciosas. É verdade também que campanhas a respeito de hipertensão arterial, diabetes e glaucoma, volta e meia estão na mídia, mas a forma de apresentar a doença ao individuo não é a ideal. Falam em prevenção quando se referem, na verdade, à detecção precoce da doença. Não é apenas esse aspecto que precisa ser divulgado.

O que nos mata mais e nos tira a dignidade no envelhecimento são as doenças crônicas degenerativas. E essas, quando chegam a ser diagnosticadas são tratadas pelo resto da vida. A prevenção real é fazer o leigo entender o que leva o organismo a desenvolver essas doenças crônicas. E ele se sentir motivado a evitá-las.

A conscientização para a senilidade responsável e de qualidade, não move um mundo voltado para a beleza, juventude e o prazer acima de tudo, aqui e agora!

Sem falar na falta de interesse em promover a prevenção. A demanda cada vez maior pelos serviços e produtos relacionados à assistência médica e à industria farmacêutica é um indicador de que o cuidado em relação à saúde tem sido avaliado de forma equivocada. No aspecto econômico-financeiro, o tratamento da doença é mais interessante do que a promoção da saúde.

Será que temos consciência disso?

Médico, um consultor de saúde

Informar para conscientizar!

O médico pode e deve ser um consultor de saúde. É através dele, de seu conhecimento e da sua experiência que somos beneficiados pelas varias terapêuticas disponíveis. Porém saúde não é apenas a ausência da doença. Devemos ser capazes de ser agentes do nosso próprio bem-estar, conhecedores de nosso corpo e de seu funcionamento, uma vez que é através dele que “vemos e vivemos” a vida ao nosso redor. Cabe ao médico o papel de diagnosticar a doença e tratar, da melhor maneira possível, cada situação de ausência de saúde que se abata sobre nós, indivíduos.

Mas podemos (e devemos) nos inteirar de como auxiliar o corpo a manter o equilíbrio interno e evitar a doença, não para prescindirmos do médico, uma vez que pela nossa própria essência mortal isso é inevitável, mas para que possamos prolongar nosso bem-estar ao máximo, mantendo a qualidade de vida que sabemos ser possível ter. E para isto, não basta o cuidado médico, pontual, por melhor que seja, a cada vez que adoecemos. Cada um de nós deve retomar para si a responsabilidade de se manter saudável.

Surgiu então a necessidade de passar adiante parte do conhecimento possível de ser compreendido pelo leigo. No caso deste blog, isto é feito para auxiliá-lo na compreensão do conceito de saúde em geral. Com isso, pretendo conscientizar o leitor a respeito da necessidade de investir na parceria médico-paciente e na observação de cuidados essenciais para garantir uma excelente capacidade visual a longo prazo. O conteúdo aqui veiculado é fruto de uma visão pessoal do binômio saúde-doença, apoiado na prática clinica diária, em oftalmologia, há mais de 30 anos.

Atualmente, a facilitação da informação é uma das tarefas do médico. Estou certa de que a educação em saúde é a forma ideal de se contrapor à doença. A prevenção só é eficaz quando paralelamente se promove a saúde através da educação. Informar é educar!

Uma das primeiras providências no sentido de devolvermos ao indivíduo a responsabilidade pela sua saúde passa necessariamente pela informação. Através da educação em saúde. Este é um dos objetivos deste blog: informar para conscientizar.