O conceito de “raciocínio sábio” e sua aplicação na Medicina

A relação do raciocínio sábio com a maior eficiência no sistema de saúde

 

Uma matéria disponível no Diário da Saúde (link abaixo) fala sobre  o estudo publicado  no Journal of Experimental Psychology (Ethan Kross e Igor Grossmann, Universidade de Michigan) a respeito  de como o distanciamento de uma idéia ou fato pode contribuir para o seu melhor entendimento.

Ela diz que estudos anteriores sugerem que pensar de forma dialética (ao reconhecer que as idéias e certezas de hoje podem mudar amanhã) e assumir uma postura de humildade intelectual (aqui significando a identificação dos limites do próprio raciocínio) são aspectos do que eles chamaram de “raciocínio sábio”.

A matéria informa ainda que Kross já havia demonstrado que “a adoção de uma perspectiva egocêntrica – imaginar que os eventos estão se desdobrando imediatamente à sua frente – faz com que processemos a informação de forma diferente do que quando adotamos uma perspectiva distanciada – ver-se como um observador distante dos acontecimentos”.

Utilizando o mesmo raciocínio podemos entender porque a prática médica atual, centrada na especialização cada vez mais freqüente (e mais cedo) do profissional da saúde, pode ser responsabilizada pela sua menor assertividade. O tempo gasto na identificação do diagnóstico e os custos envolvidos neste processo comprovam a falta de eficiência desse tipo de olhar. Mostra que deixamos de ver o quadro geral e nos fixamos no detalhe.

É o que acontece, por exemplo, quando um cardiologista opta pela troca da medicação de um paciente, desconsiderando o fato da droga em uso servir tanto para a hipertensão arterial quanto para a sua enxaqueca (migranea). A troca, mesmo baseada em evidencias clinicas recentes a favor de medicação nova, não leva em consideração outros fatores importantes na manutenção da saúde desse individuo. Assim ele voltará a se queixar de dor de cabeça e ao sair do seu equilíbrio anterior irá buscar em outros especialistas (pelo menos o neurologista e o oftalmologista) a causa do sintoma que voltou a incomodá-lo.

Ou ainda quando deixamos de pensar no mais simples e buscamos o diagnóstico menos provável antes de esgotarmos as outras possibilidades apenas porque ignoramos dados importantes de anamnese ou exame físico. Isso por que nossa visão acurada do micro embota o reconhecimento de pequenos (grandes) detalhes do macro que apenas surgem com o distanciamento do foco sob pesquisa. Na (super)especialização acabamos perdendo a capacidade (e/ou habilidade) de reconhecer o todo, definido pelo conjunto de muitos detalhes mas que para ser colocado em perspectiva exige distanciamento. Por sua vez, o generalista não é capaz de estimar esses mesmos detalhes com a precisão do especialista.

Por outro lado, os sistemas de saúde que privilegiam o generalista e exigem que o encaminhamento do indivíduo ao especialista só aconteça por intervenção do “clinico geral” (como em alguns países) pecam da mesma forma (maior tempo na identificação do diagnóstico), mas por não serem capazes de ver o detalhe em meio ao todo. Falta o treinamento do especialista, sua capacidade de “pinçar” “o” aspecto particular que o diferencia do geral.

Os dois (generalista e especialista) são necessários, mas numa avaliação simultânea, não em momentos diferentes, como costuma acontecer. Isso nos pouparia tempo e dinheiro além de, ao aumentar a eficiência do sistema, ser capaz de lidar com a demanda gerando maior satisfação do usuário e evitando o colapso dos serviços de saúde.

Equipe multidisciplinar é sinônimo de um atendimento mais eficiente!

Medicina não é mais (se é que algum dia já foi, de verdade) uma profissão com assinatura individual. Aqui não deve existir atividade “solo”. Deveríamos estar e pensar em grupo, médico generalista e especialistas reunidos num mesmo espaço, uma policlínica (não apenas no nome, mas de fato) privilegiando uma visão integral da Medicina. A saúde muito agradeceria!

 

 

Sobre médicos e Medicina

 

 

“Ser Médico & Ser Humano” Dr. Décio Iandoli Jr. Ed FE Editora Jornalística  SP, 2009

 

Um livro pequeno,111 paginas, de leitura fácil,que fala da difícil arte de se relacionar com o individuo doente e sua família. É dessa relação que surgem as possibilidades terapêuticas, o conforto e a qualidade de vida possível, caso a caso. Muito feliz, transparente e de muita sensibilidade, a narrativa do autor nos coloca frente a frente com o médico como sujeito de uma relação que, estabelecida com base na humanidade e capacidade de doação do profissional de saúde, além da necessária competência, claro, cumprirá o ideal médico, integralmente: confortar e aliviar o sofrimento de quem já não pode ser curado; cuidar do doente e reverter a doença tratável, mas acima de tudo, ensinar e ajudar o individuo a se manter saudável!

 

Trechos do livro:

“…relação médico-paciente… uma relação humana extremamente importante, geralmente intensa e muitas vezes conflituosa – pois se estabelece em momentos de crise, nos moldes de relações comerciais destituídas de uma característica fundamental,ou seja, o amor ao próximo,a confiança, o respeito mútuo e principalmente a priorização da vida e da saúde, que não são, absolutamente, mercadorias.”

“… parece-me que o lado sobre o qual mais precisa ser meditado é o do médico, já que se modificarmos a sua formação profissional, imprimindo um cunho humanístico e espiritual, determinaremos uma diminuição das distorções que observamos no cotidiano e que evidenciam o despreparo total para enfrentarmos a própria morte e, conseqüentemente, o despreparo par orientar a morte do outro.”

“A relação mercantilista que rege a área da saúde, hoje, promove uma visão distorcida do paciente consumidor, do paciente como fonte de renda ou, ainda, o que é bem pior, do paciente como um “inimigo.”

“… o paciente deveria ver o médico como alguém que pode e quer ajudá-lo, e não como um simples “prestador de serviços.”

“Tanto a onipotência médica quanto a “entrega” por parte do paciente são sentimentos que não devem existir na relação médico-paciente, pois a cura depende do paciente.”

 

Um artigo escrito por outro médico, Dr.Neuci Cunha Gonçalves,sob título “Ética e Bondade no Ato terapêutico”, postado (na íntegra) em http:://www.arzt.com.br/DetalhesArtigos.aspx?cid=9&AID=23 expressa muito bem o desejo da maioria de nós, médicos, de ajudar a fazer uma Medicina de maior qualidade e afinada com o desejo do indivíduo que, já fragilizado pela doença nos procura. Aliviar a sua dor física e emocional e seus medos além de sermos interlocutores eficazes na relação deles com seus familiares nos momentos críticos de suas vidas. Ele, Dr. Neucir fala:

“Cada médico há que fazer uma constante auto-crítica de sua prática terapêutica… e não nos esqueçamos nunca que a premissa maior para que a prática médica seja de boa qualidade é que o ato terapêutico esteja, antes e acima de tudo, alicerçado na ética e na bondade.”

Espero estar contribuindo para resgatar o ideal e a figura do médico ao levar ao conhecimento do público leigo o pensamento (endossado pela prática) de alguns profissionais brasileiros que vivem a Medicina que todos gostaríamos de ver difundida. Aquela que aproxima o médico do doente, irmãos em humanidade, unidos na dor e no medo, caminhando juntos, lado a lado, no enfrentamento de suas mazelas.

Como eles, autores conhecidos de alguns, existem milhares de outros médicos, anonimos em sua virtude no exercicio dessa Medicina possível. Que eles possam se sentir gratificados e plenos,sempre e que continuem a enaltecer essa que é uma das mais antigas profissões. E seguramente uma das que dão ao individuo que nela labuta a oportunidade de sentir intimamente a alegria da doação ao outro.

Poder ver a recuperação de um enfermo e a gratidão expressa no seu olhar, na sua atitude, não tem preço. Assim como o amor de mãe é incondicional, a valorização da vida e do bem estar do individuo doente é paixão incondicinal do médico que ama o que faz.

 

 

Prevenção das doenças crônicas – um investimento vital (OMS)

“Prevenção de doenças crônicas – um investimento vital”

Este é o título de um programa da OMS referido no livro “Prevenção de doenças do adulto na infância e na adolescência” Dr. João Guilherme Bezerra Alves e Dra. Magda Carneiro-Sampaio – Ed. Medbook RJ, 2007

Seguem alguns trechos deste livro que deveria ser referência para todos os que acreditam na possibilidade de mudar o cenário das doenças crônicas no país e no mundo, através da informação e da educação da população. É através da mulher, essencialmente, que a mudança pode ser feita. Mãe e cuidadora, a mulher surge no âmbito da prevenção como a figura capaz de implementar no núcleo familiar  as mudanças necessárias para a modificação da prevalência das doenças degenerativas crônicas entre nós.

Ela, mulher, ainda desconhece a sua importância na prevenção das doenças futuras de seus filhos e netos. Não foi informada da magnitude da responsabilidade da maternidade consciente. Ainda que ainda lidemos com urgencias básicas como  a gravidez na adolescência, precisamos ao mesmo tempo difundir a informação a respeito da capacidade de diminuir gradativamente a prevalência das doenças crônicas entre nós a partir do aconselhamento das gestantes de hoje e das mães de crianças e adolescentes. Informar para educar e conscientizar!

Os autores falam da necessidade da gestante prover adequada nutrição do feto, evitando o baixo peso ao nascer e a prematuridade fatores de risco importante para o desenvolvimento futuro (idade adulta) das doenças crônicas como o diabetes, a hipertensão, o infarto e o AVC.

Eles informam que                                      “… os sete dos maiores riscos à saúde (hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia,obesidade, sedentarismo, baixo consumo de frutas e legumes, alcoolismo e tabagismo)  são condições intimamente ligadas a escolhas de vida e correspondem a mais da metade do impacto mundial de doenças, medido na média em anos de vida com a doença”.

E ainda falam da necessidade da implementação de ações em áreas diferentes e complementares do nível primário de atenção à saúde. Sugerem utilização de recursos da comunidade, ONGs, implantação de programas de exercícios coletivos, reuniões de auto-ajuda e suporte para o cuidado para com a própria saúde.

Outros trechos:

“Os pacientes devem ser estimulados e educados para o auto-cuidado”

“A promoção de saúde permite que as pessoas adquiram maior controle sobre a sua própria qualidade de vida. Por meio da adoção de hábitos saudáveis, não só os indivíduos, mas também seus familiares e a comunidade se apoderam de um bem, um direito e um recurso aplicável à vida cotidiana.”

“Mudanças de maus hábitos à saúde já instaladas na vida adulta são objetivos difíceis de alcançar devido à fraca aderência da população-alvo”

“Esses hábitos devem ser adquiridos desde a infância”

“Além disso é na escola que os programas de educação e saúde podem ter a maior repercussão beneficiando os alunos desde a infância”

Mulheres: Busquem mais informação, peçam orientação a seus médicos, criem grupos de discussão na família e na comunidade! Assim estaremos dando um enorme passo à frente no controle das doenças crônicas e agregando qualidade de vida à longevidade de hoje.

A epigenética e o destino biológico

Discutindo a relação mente/corpo

O determinismo genético tem sido posto à prova desde sempre. Mas hoje, é universalmente reconhecida a importância do ambiente interno (mente) e externo (família, comunidade e meio ambiente) no desenvolvimento das doenças. A epigenética tem evidências concretas a respeito da capacidade de modificar a influência do código genético e com isso evitar o adoecimento. Em palavras da própria ciência, existiriam muitas variáveis capazes de influenciar e mesmo evitar a expressão de determinado gen causador desta ou daquela doença.

Trocando em miúdos, o fato de ter herdado a carga genética do diabetes mellitus ou do câncer de mama, por exemplo, não significaria certeza de vir a manifestar a doença. E aqui não me refiro à herança possível de quem tem um pai, mãe ou avós portadores da doença em questão. A observação é a respeito de indivíduos comprovadamente portadores dos gens “defeituosos”, potencialmente responsáveis por estas doenças.

Será que temos consciência da importância desta afirmação? Um grande passo à frente foi dado em relação ao controle do adoecimento.

Uma fala comum nos consultórios é aquela do individuo que ouve o seu diagnóstico expressando a certeza da sua inevitabilidade: “Ah…mas essa doença é comum na minha família…meu pai teve, meu irmão também…um dia tinha que acontecer comigo”

Como se fosse a única realidade possível!

A neuropsiquiatria tem se desenvolvido bastante na última década e com tecnologia de ponta vem produzindo evidências científicas de padrões bioquímicos comuns a várias manifestações de desorganização emocional (como na esquizofrenia, na bipolaridade, no transtorno do déficit de atenção /TDAH,entre outras). Têm sido evidenciados e estudados estes padrões distintos e, portanto não podemos dissociar mente e corpo como sugerem alguns. Ambos se submetem a códigos bioquímicos mutáveis e interdependentes.

Mas utilizando a analogia proposta, vejamos como o contrário pode ser pensado: a idéia (mente) sendo capaz de produzir alterações nas células do organismo, mudando o padrão de adoecimento. Há muito se sabe da influência da mente sobre o adoecimento do corpo. Além disso, o vemos o efeito placebo sendo validado pela comunidade cientifica, a prece ou oração sendo estudada (Universidade Johns Hopkins) como fonte de reequilíbrio orgânico e restabelecimento rápido em doentes hospitalizados. Então temos todo o conhecimento necessário para induzir modificações na herança genética e influenciar positivamente o desenvolvimento, melhorando a qualidade de vida.

A ancestral Medicina Chinesa com suas áreas de representação orgânica (o fígado fala da raiva, o rim do medo, p.ex.) e a iridologia mostrando a possibilidade do organismo sinalizar a característica emocional do individuo e a fragilidade de cada sistema nela representado…são alguns de muitos outros vieses possíveis. São tantas as direções que apontam para o entendimento de cada forma de adoecer, de distinguir um individuo do outro em sua mazela física que é improvável que utilizando essas ferramentas não sejamos capazes de nos anteciparmos às doenças crônicas dos quais somos vítimas quase todos na idade adulta (na melhor das hipóteses).

Interessante é a perspectiva da doença antecipada quando dizemos que “o corpo avisa que vai adoecer”, ”o corpo fala”. É uma verdade. E nesse estágio ainda temos o controle e podemos evitar a organicidade da doença, isto é, conseguimos reverter o dano e impedir sua “cronificação”. Onde aí sim a injúria ao tecido, a lesão ao órgão e a incapacidade de se manter a não ser com ajuda química (medicação).

Mas para isso, uma vez detectada a causa devemos ser capazes de mudar o estilo de vida e os hábitos que estão contribuindo negativamente e levando ao desequilíbrio. Insistir é bobagem e garantia de lesão futura. A única dúvida é em relação ao tempo que levará para cada um de nós termos que encarar a doença instalada.

Temos a faca e o queijo nas mãos. Então porque o aumento na prevalência das doenças crônicas? Porque é tão difícil para nós introduzirmos as mudanças necessárias para mudar este cenário?

Porque é tudo é ainda muito novo para a maioria de nós, porque é mais difícil introduzir novos hábitos na idade adulta ou porque é mais fácil deixar a vida nos levar (como no samba…) pra ver como fica depois?

Se alguns de nós deixamos de ver o conjunto e perdemos a perspectiva, os outros devem nos ajudar a reencontrar o “norte” e retomar a responsabilidade de cuidar da melhor forma do corpo que carregaremos até o fim desta jornada.

Uma parcela da comunidade cientifica (ainda pequena, mas bem representada) e alguns organismos públicos (nacionais e internacionais) tentam há pelo menos duas décadas mudar esse cenário. É um trabalho pesado, uma luta diária que precisa ser dividida com cada indivíduo. Cada um de nós tem papel importante na estruturação e implantação das mudanças necessárias.

Vamos nos juntar, somar para fazer a diferença. Como já disse Ghandi, “a única revolução possível é dentro de nós!”

Alzheimer, o que estamos deixando de ver?

 

Prevenção da doença de Alzheimer (DA):

 

-Aumento da atividade aeróbica

-Adoção de dieta mediterrânea

Estímulo das tarefas cognitivas

 

É assim, sem intervenção farmacológica, apenas com mudanças no estilo de vida que obtemos efeito protetor em relação à DA. Este é o protocolo a que indivíduos portadores do gen especifico para a DA são submetidos na intenção de retardar o aparecimento dos sintomas enquanto não surgem drogas capazes de reverter o processo já iniciado ou mesmo “vacinas” com fatores químicos de proteção  contra a doença.

Nesta família que vem sendo estudada há algum tempo, um menino com menos de 15 anos foi diagnosticado com DA clinicamente estabelecida. A gravidade dessa observação ainda não foi tratada como deveria, tanto pelos médicos quanto pela mídia cujo papel é esclarecer e informar a população. A comunidade científica tem a DA como uma de suas prioridades, mas qual o custo futuro da falta de organização da sociedade em relação à demência, se o tempo não conspirar a favor dos nossos cientistas? Todos temos um papel nas catástrofes que nos atingem. O meio ambiente nos lembra sempre as nossas faltas. As tragédias das enchentes (cada vez mais freqüentes aqui no Rio) são um exemplo. O aumento da resistência à insulina e o diabetes tipo 2 , além da obesidade tomam proporções trágicas também.  É difícil hoje que qualquer um de nós possa dizer que entre seus familiares diretos (avós, pais, tios ou irmãos) não exista sequer uma pessoa diagnosticada com diabetes tipo 2. E querem saber de uma novidade? Cogita-se no meio acadêmico que a resistência à insulina (cerebral) possa ser um dos gatilhos da doença que leva à demência. A hipótese levaria à identificação do diabetes tipo 3 (cerebral) que aceleraria o processo da perda da memória no Alzheimer, um dos sinais do declínio cognitivo característicos da doença.

Em relação à DA, segundo últimas análises estatísticas, os órgãos de saúde americanos trabalham com a expectativa de que em 2050 existirão  13.5 milhões de pessoas com diagnóstico de Alzheimer.

Conhecidos fatores de risco para a doença, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia (alteração do metabolismo lipídico) e estresse crôni- co são fatores agravantes enquanto a prática contínua de atividade física (exercícios aeróbicos) aumentaria a reserva cerebral (oxigenação) atuando como fator importante de proteção em relação à demência.

*“Definimos uma estratégia preventiva como a ação que nos permite diminuir o aparecimento de uma determinada doença no nível da popula ção geral”.

*“Medidas de prevenção primária para evitar, numa população saudável, a exposição a determinadas situações que levariam ao aumento da prevalência da doença. Assim se reduziria a possibilidade de aparecimento desta determinada doença entre aqueles indivíduos. Existem também as medidas de prevenção secundária cujo objetivo é diagnosticá-la em estágios iniciais contribuindo para uma maior qualidade de vida desses individuos.”

Considerando que ainda não existe cura para Alzheimer, as campanhas informativas a nível da população geral poderiam auxiliar na diminuição da incidência da doença a médio e longo prazos, através de outro viés, orientando quanto às possíveis estratégias que poderiam retardar ou inibir o aparecimento da doença: educando sobre os fatores protetores em relação à DA.

*conceitos extraídos da série “Médico em casa”,Editora Plátamo (Lisboa)

Por que alguns adoecem mais do que outros?

Destino biológico, uma via de mão única?

 

Por que alguns adoecem mais do que outros?

 

A vida se manifesta em nós de forma absolutamente distinta. Somos biologicamente diferentes uns dos outros. Mesmo gêmeos univitelinos têm identidades bioquímicas e celulares diferentes.

Aliada à organicidade única, os indivíduos diferem também quanto ao temperamento e personalidade. Se expandirmos esse raciocínio, as muitas variáveis e possibilidades de combinação dessas características seriam infinitas.

Aonde quero chegar?

O que tento lembrar é que somos tão diferentes uns dos outros que me parece “non sense” pensar a Medicina de forma tão linear e ter fórmulas terapêuticas únicas para cada doença manifestada em indivíduos tão diferentes entre si.

Todas as áreas do conhecimento humano possuem uma dinâmica própria. Nenhum conhecimento é imutável, verdade absoluta para sempre. Mas especialmente a Medicina deve ser vivida como fonte de conhecimento que evoluiu tremendamente nas últimas duas décadas, mas que ainda acumula mais dúvidas do que certezas.

Aprendemos todos os dias vivendo a Medicina como ela é: uma arte! Arte de ouvir, questionar, intuir, descobrir,duvidar, mas antes de tudo, a arte de se comover tentando entender o funcionamento e ajudando o organismo a retomar o seu equilíbrio.

Sob esse aspecto, os consensos médicos atuais priorizam a universalidade estatística dos sintomas e sinais. Esquece de (antes de tudo) tentar entender como e porque aquele indivíduo (em especial) adoeceu.

A genética expõe as possíveis e prováveis áreas de risco, mas a imprevisibilidade da instalação ou não da doença depende mais (ou em igual proporção) do temperamento do indivíduo, das condições em que ele vive e do seu estilo de vida (ambiente familiar, clima, hábitos alimentares, atividade física). É o que a epigenética nos tem ensinado: que o determinismo genético não é a verdade médica absoluta! Como diz o ditado: “Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”. E a Medicina é um grande e complicado quebra-cabeças!

Mas a verdade é que estamos mais doentes do que nunca. Como já disse antes, vivemos por mais tempo, mas o custo tem sido alto. Câncer, diabetes, obesidade,pressão alta e demência cada vez mais prevalentes entre nós. O que deixamos de ver ao longo do processo de aumento da expectativa de vida? O cientificismo médico tem nos proporcionado vida mais longa, mas…o mesmo não se pode dizer da qualidade de vida. O que deixamos de ver, nós médicos, enquanto nos preocupávamos em tratar infecções, normalizar pressões e taxas de açúcar de nossos assistidos?

Estávamos apenas tratando os sintomas resultado do adoecimento…que poderia ter sido evitado! Seria possível evitar (na maioria das vezes) ou pelo menos minimizar (em muito) a sintomatologia, além de personalizar cada vez mais o tratamento dessas mesmas doenças? Delírio demais? Temos realmente poder para mudar o nosso destino biológico (genótipo)? Mas, acima de tudo, queremos mudar e estamos (mesmo) dispostos a lutar contra nossos impulsos e necessidades de gratificação instantânea, o prazer acima de tudo?

Este é o cerne da questão, a meu ver. É tão mais fácil (e prazeroso) pensar (e agir) aqui e agora, viver hoje como se não houvesse amanhã… Estou falando dos erros alimentares, dos excessos da mesa e do apelo fácil do sedentarismo. A motivação tem que ser do próprio indivíduo. Mas a orientação básica e o estímulo necessário são tarefas do profissional da área da saúde.

 

A medicina psicossomática estuda a relação mente-corpo, mas ainda engatinha. E, enquanto não soubermos como cada um de nós, com personalidades e temperamentos diferentes pode (através do auto-conhecimento e da solução das suas questões emocionais) evitar o adoecimento físico, continuaremos a prescindir das mesmas orientações gerais: dieta, exercício físico e manter ressonância com os bons pensamentos além das técnicas anti-stress.

Nesse sentido é interessante a matéria divulgada no jornal “O Globo” sobre stress e carga genética (genótipo) versus surgimento de doenças (fenótipo). Vale a pena ser lida!

 

Doença: prevenção e tratamento

O medicamento e a estratégia não medicamentosa na condução do tratamento e da prevenção da doença

 

             O medicamento é a arma do médico contra a doença instalada. Ainda assim, seu uso deve ser muito bem avaliado, caso a caso, sob pena de comprometer sob vários aspectos, e de forma permanente, a capacidade de readaptação funcional daquele organismo em que atua. A droga auxilia a iniciativa orgânica de restauração da homeostasia, mas muitas vezes interrompe ou mesmo anula a capacidade de auto-suficiência necessária à manutenção da vida (reações químicas e físicas que se processam ininterruptamente minuto após minuto, dia após dia, ano após ano).

Estes ditos “efeitos colaterais”, se contínuos, podem inibir a autonomia orgânica e além de serem desagradáveis (significarem sinais e sintomas), contribuem para a perda definitiva do controle interno (do corpo sobre ele mesmo). A partir daí necessitamos indefinidamente (por toda a vida) da droga. E como estes efeitos geram outras modificações a longo prazo, cada vez mais precisaremos de mais drogas (diferentes) para controlar cada um destes novos efeitos colaterais. Daí a dependência química (medicamentosa) cada vez maior de que somos testemunhas hoje em dia.

“É um mal necessário!” dirão muitos. Não necessariamente dirão outros tantos. Eu me incluo neste último grupo. Se a cultura da prevenção fosse uma realidade, se pensássemos mais nas soluções mais simples, desde como evitar a doença em vez de pensar apenas ou tão mais a respeito do“tratamento”da doença já instalada, mudaríamos a realidade de hoje.

Os check-ups são necessários, mas não são “preventivos”. Eles são importantes, nos informam mais precocemente sobre as doenças e os estados de desequilíbrio sobre os quais devemos agir para eliminar (ou lentificar) o processo patológico e mudar o desfecho esperado.

Porém, existe um hiato muito grande entre a saúde e a doença. Deste espaço a medicina não se ocupou como deveria. Os exames laboratoriais, por exemplo, são capazes de detectar o que está muito diferente da “normalidade”, do padrão. No entanto, cada vez mais os médicos têm tido que aprender a perceber e lidar com estados sub- clínicos das doenças. Em outras palavras,situações em que o individuo tem sintomas vagos, sabe que algo está errado com ele, que algo mudou e precisa ser “consertado” e o médico não encontra nenhuma anormalidade bioquímica, de imagem ou qualquer outra ligada à propedêutica conhecida (formas de analisar cada doente para se chegar a um diagnóstico).

A evolução do quadro, depois, confirma muitas vezes suspeitas que não puderam ser comprovadas antes, dificultando tomadas de decisão que poderiam ter modificado o desfecho.

Como a saúde exige uma percepção dinâmica e a doença pode ser pontual, nos acostumamos a perceber e definir a doença pelos sintomas que nos afligem. Mas a doença não acontece “do nada”,”sem aviso prévio” ou “da noite para o dia”, mesmo nos processos infecciosos!

Somos expostos aos mesmos vírus (por exemplo), no ambiente de trabalho, no transporte público, nas áreas de lazer. Nas epidemias freqüentamos e dividimos os mesmos espaços geográficos, mas o percentual da população que fica doente é sempre muito menor do que aquele que foi exposto.

Sabemos a resposta: a imunidade de cada um de nós. Esta arma é individual, específica e intransferível (exceto no período de lactação, quando a mãe protege o bebê com seus anticorpos). Sabemos também como ajudar cada organismo a aumentar suas defesas, ou por outro lado, o que leva cada um de nós a perder a capacidade de nos defendermos desses “ataques” diários. Por que não utilizamos este conhecimento em  maior escala para tornar desnecessária a intervenção medicamentosa que a longo prazo modificará o organismo (e não para melhor, com certeza)? A autonomia funcional do organismo deve ser buscada sempre, e em primeiro lugar!

Qualquer dependência física ou química deve ser rejeitada em benefício de melhores resultados em relação à manutenção do estado de saúde.

           

A intenção não é polemizar, apenas informar.

Você sabe o que é homeostasia?

A homeostasia e sua importância

 

O organismo funciona de forma muito harmônica. Na verdade, toda organização de sistemas e pessoas no sentido de um bem comum já mostra a força que a união tem sobre a unidade e como ela pode modificar o todo. No corpo humano não poderia ser diferente. E é essa constatação que nos deixa maravilhados. A observação da vida se desenvolvendo constantemente, se estabelecendo da melhor maneira possível, organizada e mantida pela conexão permanente dos órgãos vitais com as terminações nervosas geradoras e condutoras de informações. Ver esta atividade de cooperação constante entre os órgãos e sistemas é que nos dá certeza de ser este trabalho contínuo que, em última análise, mantém a higidez do todo. O produto desta atividade incessante é o que chamamos de homeostasia.


Homeostasia

 

Apenas por um curto espaço de tempo o organismo se mantém em equilíbrio. São muitas as variáveis que influenciam esse processo e elas estão sendo modificadas continuamente. Homeostase (ou homeostasia), por definição, é o estado de equilíbrio  orgânico(do popular), mas o termo tem um significado mais amplo e se refere à busca constante do equilíbrio dentro de um sistema, qualquer que seja ele, humano, técnico, social, governamental etc. O desequilíbrio é uma constante. É inevitável. Em contrapartida, a busca pelo equilíbrio é mais do que isto. É uma questão de sobrevivência.

  Um americano, Walter Canon, fisiologista, cunhou o termo homeostasia, do grego homeo (o mesmo) e stasis (ficar). O significado ao pé da letra é a “manutenção das constantes do meio interno”. Os órgãos e tecidos do organismo, sem exceção, auxiliam na manutenção desta estabilidade.

Esta busca constante e incessante do corpo humano pelo estado de equilíbrio orgânico pode ser medida pelas reações à agressão, seja ela física, química, ambiental ou tão somente por organismos vivos(vírus, fungos, bactérias, parasitas, etc).A todo instante nossas células trabalham no sentido de reagir a estas novas “agressões” que as o- brigam a mudar rotinas fisiológicas para tentar no menor prazo possível (para minimizar os danos prováveis) retornar ao estado de equilíbrio orgânico. Ou seja, elas tentam voltar à velha rotina de reações químicas, multiplicações celulares harmônicas e previsíveis, retomando o ritmo normal daquele organismo. Todos os dias isso se repete.A cada ação existe uma reação, conforme nos ensina a física. As reações se manifestam através dos sinais e sintomas de uma alteração do “ritmo normal” que pode ser percebido apenas como uma variante (via alternativa) e não ter significação de adoecimento. Como quando dizemos “…ontem eu estava esquisita, não estava bem…mas hoje estou ótima! Me sentindo superbem…sei lá o que aconteceu…” Em outros casos, quando o organismo sozinho não consegue retornar ao estado de equilíbrio, precisamos ajudá-lo!

É então que nós, médicos, nos valemos de orientações, dietas, exercícios, procedimentos, medicamentos, cirurgias, enfim, tudo que for necessário para devolver ao corpo doente o equilíbrio que tornará viável a retomada da vida. Tudo isto com o rearranjo bioquímico, celular, estrutural e em ultima instância funcional, que permita a melhor qualidade de vida possível.

E é com essa variável que se preocupa hoje a medicina voltada para a promoção da saúde. Porque existem muitas formas de se retomar a homeostasia, mas são os diferentes caminhos utilizados nesta tarefa que implicarão na diferença de resultados a médio e longo prazo.

Cada vez mais conhecemos a relação de dependência entre o meio ambiente e a saúde do homem. Pesquisas nos informam que somos formados por 10 trilhões de células e que nosso corpo abriga 100 trilhões de bactérias. E cada uma delas pode significar muito para nossa economia interna e coexiste em harmonia em nosso interior em con- dições normais (homeostasia mantida). Sabemos ainda que “nosso corpo contem 10 vezes mais bactérias do que células humanas” Fonte: matéria “Os verdadeiros donos do mundo” na revista Superinteressante de agosto de 2009.

Com os vírus não é tão diferente, eles também necessitam de nós para sobreviverem. Os que sobrevivem por mais tempo são os menos letais, que permanecem em nós por anos a fio, sem provocar o próprio suicídio, que seria destruir a fonte do alimento que os nutre: nós.

Mas, como tudo que tem vida não vive bem sem uma vida de relação, precisamos (assim como as bactérias, os vírus e todos os outros seres) encontrar um equilíbrio em nossas relações para permitirmos uns aos outros uma convivência pacífica e duradoura.

A seleção natural faz seu trabalho constantemente. Nós temos que aprender a  cuidar do nosso organismo da melhor forma possível para garantirmos essa longevidade com a qualidade esperada.

Ainda usando como referência a matéria “Os verdadeiros donos do mundo”, da revista Superinteressante (agosto 2009): ”Somos passageiros em um planeta controlado por bactérias e vírus. Nossa vida depende da nossa capacidade de enfrentá-los. O problema é que estão mais fortes do que nunca. E por nossa causa”.

A cada “descoberta” humana a respeito da doença, a cada avanço cientifico – tecnológico na área médica se alinha em contrapartida um viés negativo quase sempre subestimado(ou negado) inicialmente. Mas assim como não podemos negar a morte, nada mais real e constante do que perceber que a cada ação sobrevém uma reação, e a cada ponto positivo se contrapõe um negativo.

Cabe a nós analisarmos, sob os vários ângulos, cada possibilidade e escolher o caminho que provavelmente nos leve a um desfecho mais favorável. Negar o óbvio só contribui para aumentar a inadequação das escolhas e alimentar o falso resultado, a curta eficácia da proposta terapêutica, no caso da Medicina.

           

O conhecimento médico a respeito de saúde

As “várias medicinas” podem se ajudar com estratégias complementares, não excludentes.

O conhecimento sobre saúde é muito mais amplo do que se admite e tem sido sub-utilizado pela Medicina Convencional.

Não sou contra o desenvolvimento científico. Obviamente, reconheço os benefícios da tecnologia e dos avanços em diagnóstico e tratamento dos dias atuais. Apenas penso que estamos voltados tão somente para um ângulo da questão. Se a ênfase fosse preventiva, se investíssemos mais na saúde e não na doença, a longevidade com certeza estaria acompanhada de mais qualidade de vida. Mas hoje o cenário ainda é outro.

Por que não implementar mais estratégias de promoção de saúde e de prevenção de doenças? Por que não conduzir mais pesquisas cruzando os dados epidemiológicos e estatísticos com os antropométricos e outras características familiares e individuais, hábitos alimentares e estilos de vida? Sem dúvida agregaria mais valor, mas penso que muito já se disse (e se diz) a respeito.

Um grande divisor de águas nesse sentido foi o trabalho do Dr. Dean Ornish cardiologista americano do Preventive Medicine Institute e da University of California, autor de vários livros que relacionam a mudança de estilo de vida à alteração da expressão genética, contrariando o que sempre se disse: “os genes são os principais determinantes da saúde e não são modificáveis”.  Ele ensina que “… intervenções simples, baratas e de baixa tecnologia…” mudam o seu estilo de vida e isso pode mudar seus genes, sim! Podemos nos antecipar à doença, evitá-la, modificar seu curso ou reverter prognósticos negativos. Já temos este conhecimento.

Falta bom senso, iniciativa popular e vontade política. É verdade que falta investimento maior em educação para a saúde, estimulando o interesse da população. Mas falta também interesse do médico e de outros profissionais da área de saúde. Eles deveriam ser os vetores da disseminação desta “nova” forma de entender a saúde e combater a doença.

Nós médicos ainda não percebemos que o caminho que temos percorrido é equivocado. Que a intervalos curtos, cada vez mais curtos, tudo fica obsoleto, mudamos conceitos, drogas e estratégias rápido demais para percebermos, mais tarde, que não  houve ganho importante. A abordagem continua errada.

Não devemos apenas continuar buscando drogas milagrosas para resolver as doenças, investindo para isso todo tempo e dinheiro. Deveríamos ser capazes de nos antecipar aos eventos, identificando possíveis causas e estratégias para fazer frente a eles. Ou pelo menos, como se faz em economia, dividir para multiplicar, ou seja, invéstir nessas várias frentes para resultados mais eficientes a longo prazo.

Cada caso é sempre um caso diferente. A experiência adquirida no exercício da profissão, num aprendizado contínuo, se traduz em assertividade cada vez maior em relação aos diagnósticos feitos. E a capacidade de discernimento de cada médico deve ajudá-lo a decidir em função dos sinais e sintomas e principalmente do organismo que está doente, levando em consideração as suscetibilidades individuais e, porque não, as crenças de cada um a respeito de saúde.

Hipócrates (e outros médicos antes dele) defendiam uma medicina voltada para a saúde, no sentido de ajudar o organismo na sua constante busca da homeostasia ou equilíbrio interno. Equilíbrio este que seria conseguido à custa de reajustes nos processos bioquímicos mantenedores do funcionamento ideal dos órgãos e sistemas do corpo humano. Nosso organismo está capacitado a retomar a normalidade funcional através desses ajustes diuturnamente levados a termo. Cabe à terapêutica médica auxiliar esse processo quando o corpo esgota as suas próprias possibilidades.

Lembro ainda que quando falo em agir conforme a medicina complementar não significa substituir a terapêutica convencional onde e quando ela não pode nem deve ser substituída. 

Quando você está gripado, toma apenas vitamina C, um descongestionante e vai pra cama? Ou toma também um chá quente (de preferência de equinácea ou similar, quando não existe contra-indicação para este fitoterápico), opta por não se alimentar com muito carboidrato simples (açúcar e doces que, além de você, os vírus também adoram!) e prefere sopas de legumes ou a canja da mamãe (hum… delicia!) além de fazer gargarejos com água morna, sal e limão ou romã?…

São estratégias complementares e não excludentes que podem acelerar o processo de cura, devolvendo mais rapidamente o bem estar ao doente. Então porque não usar?

E já que falei da equinácea (fitoterápico que estimula a imunidade), aproveito para lembrar que ela deve ser evitada em indivíduos portadores de doença auto-imune. Nestas pessoas, o fitoterápico pode induzir uma piora rápida da doença. E pensando bem, se a equinacea é capaz de acelerar a doença causada por excesso de imunidade (característica da doença auto-imune) como podemos negar suas propriedades imunoestimulantes? Porque ela ainda é desconhecida da maioria de nós, médicos ortodoxos?

Pensemos a respeito!

Saúde: o que mudou em 20 anos?

Cuidados primários de saúde e o PSF (programa de saúde da familia):

No Brasil, a  imperativa necessidade de mudança na forma de ver a saúde e administrar a doença é reconhecida e discutida em todas as esferas há pelo menos 20 anos.

Algumas iniciativas já foram tomadas.

O Programa de Saúde do Adulto foi criado com o objetivo de “… formular e implementar políticas de saúde direcionadas à assistência integral à saúde do adulto, segundo diretrizes do Ministério da Saúde para a área, contribuindo para aumento na expectativa e qualidade de vida da população no Distrito Federal”.

Este programa pretende “prestar assistência à saúde do adulto focando nos programas de diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, dentro de um conceito de integralidade, mudando o foco de atenção na doença para atenção global de saúde, permitindo identificar os principais problemas que a afetam. Conheça o programa na íntegra em:  http://www.saude.df.gov.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=6838

Ações como esta estão sendo implementadas, sim.

Mas em ritmo, dimensão e formato que não terão o impacto necessário para efetivamente conseguir mudar o cenário da saúde a médio prazo. E sendo assim, incapazes de desacelerar algumas das epidemias deste século, em termos de doenças degenerativas.

Em 1978 a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF promoveram a Conferencia sobre cuidados Primários de Saúde que ficou conhecida como Conferencia de Alma-Ata, local em que foi realizada. Aprovada uma proposta de atenção primária em saúde, com enfoque prioritário em promoção e prevenção da saúde. A meta era atender a todos os membros ou segmentos da sociedade até o ano de 2000. Na ocasião, a OMS reafirmou que “a saúde não é apenas a ausência de doença e sim um completo bem-estar físico, mental e social”.

No Brasil, em 1988, a Nova Constituição Brasileira declarou que “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. Nesta ocasião foi garantido a todo cidadão, por lei, o acesso às ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde.

Em 1994 o Programa Saúde da Familia (PSF) foi criado com o objetivo de implementar o processo de mudança do paradigma que orientava o modelo de atenção à saúde da época. Alicerçado pelo comprometimento com um novo modelo que valorizava ações de promoção e proteção da saúde, prevenção das doenças e atenção integral às pessoas. Esperava-se que ele superasse o anterior, que se baseava na supervalorização das práticas da assistência curativa, especializada e hospitalar e que induzia ao excesso de procedimentos tecnológicos e medicamentosos. Era um “novo modo de fazer saúde”.

Segundo o próprio Ministério da Saúde, eram tarefas do médico do PSF: realizar assistência integral (promoção e proteção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde) aos indivíduos e famílias, em todas as fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, idade adulta e terceira idade.

Em 2005 numa avaliação publicada na Revista Latino-americana de Enfermagem, Rosa WAG e Labate RC  sugeriam que onze anos depois de implantado,o PSF “…não é muito diferente do modelo atual que infere que consultas e exames são equivalentes a soluções para os problemas de saúde”. Rosa WAG, Labate RC. “Programa Saúde da Família: a construção de um novo modelo de assistência”.Rev Latino-am Enfermagem 2005 novembro-dezembro 13(6):1027-34

Leia na integra, no link:   http://www.scielo.br/pdf/rlae/v13n6/v13n6a16.pdf

Avaliando a saúde segundo parâmetros aferidos no dia a dia do consultório médico na clínica privada, ainda hoje muito pouco mudou desde 1994, quase dezessete anos depois do “novo modo de (pensar e) fazer saúde”.

É chegado o momento de nos mobilizarmos. O inconsciente coletivo aponta outra direção para a saúde. A necessidade de mudança de foco no tratar da saúde hoje é cobrada pelo próprio paciente!  A Medicina ortodoxa, numa atitude pouco inteligente, para não dizer arrogante, não se permitiu complementarizar.  Não admitiu agregar valores conhecidos há muito tempo, em nome da tão falada medicina baseada em evidências. Cometeu aí um grande êrro!

Deixou passar, ao largo, a oportunidade de se agigantar, agregando todo conhecimento disponível e enriquecendo o arsenal de opções a oferecer para a retomada da saúde. Hoje existem várias medicinas, polarizadas sob as formas de Medicina ortodoxa e Medicina Alternativa ou Complementar ou Integral (prefiro essa terminologia).