Minha memoria anda péssima…e aí, o que fazer?

 

A dificuldade em relação à memoria recente é  uma queixa prevalente principalmente no universo feminino. Alguns neurologistas se referem à “sindrome desatencional”,cada vez mais presente no dia a dia. Pouco tempo, muito a fazer,nós nos reconhecemos como indivíduos “multitarefas” …a desatenção aumenta porque você tem que dar conta (ao mesmo tempo) de um sem numero de detalhes diários!

O deficit de atenção (minimo quando é apenas uma característica da pessoa,quando não causa maiores transtornos no dia a dia; ou quando se identifica como “síndrome neuropsiquiátrica e requer tratamento químico ou apenas terapia cognitivo-comportamental) e a ansiedade podem a longo prazo levar à disfunção cognitiva mais preocupante uma vez que o “desgaste” de neurotransmissores cerebrais se dá mais rapidamente nesses casos.

Por isso a preocupação hoje não apenas com o “slow food” em relação à alimentação (para termos uma nutrição mais adequada às nossas necessidades diárias de manutenção da homeostase)…mas também com o “low profile”. Temos que desacelerar. Somente assim poderemos garantir qualidade no envelhecimento (do corpo e do cérebro).

Outra estrategia fundamental para o físico (eliminando as epidemias de obesidade e diabetes mellitus) e para a mente (lentificando o deficit cognitivo e recuperando a memoria recente) é a atividade física diária (exercicio aerobico -caminhada “rápida” ou “jogging” 4 a 5 vezes na semana). Outra é a alimentação funcional: a curcuma (açafrão) é um potente anti-inflamatório natural e tem sido citado com frequência em estudos sobre perda de memoria (estrategia que vem sendo estimulada em casos de declínio cognitivo leve como o do Alzheimer inicial).Poderíamos passar a fazer molhos para salada com açafrão e não comemos pelos menos durante a semana o arroz “amarelo” -no final de semana poderíamos nos dar o luxo de comida mais atraente para o paladar brasileiro. Que tal a sugestão?

Molho diário (básico) para salada: azeite extra-virgem, meio limão (ou vinagre para quem gosta mais e pode usá-lo),cúrcuma, pimenta preta (para potencializar a absorção da cúrcuma), e ingredientes opcionais e a gosto como: coentro,noz moscada,cominho,tomilho,salsa (outro excelente nutriente, que contém o mais eficiente antioxidante para o olho e para o organismo como um todo,que é o glutation!)

Até hoje não são conhecidos efeitos colaterais no uso alimentar da cúrcuma (não falo do uso de capsulas de cúrcuma  tão em moda (e por isso tão caras!),que contem doses bastante elevadas da substancia curcumina…com possíveis efeitos colaterais na multiplicação celular (câncer).

Tudo na natureza está em equilíbrio (ou deveria …antes do homem modificar).

A nutrição funcional (uso de alimentos contendo substancia presentes naturalmente na natureza) nos permite melhorar o que deve ser melhorado (uma vez que as necessidades mudam de tempos em tempos pela forma diferente de viver a vida), sem necessariamente causar danos mais tarde. Equilíbrio, homeostase é o que devemos buscar.

A Hipócrates é atribuída a frase: “deixa que o alimento seja o seu remédio”

 

 

Encontrei um site, entre vários, que fala “en passant” sobre a dificuldade diária de todos nós neste século

 

Oficina da memória

“Atualmente a rotina diária das pessoas costuma ser bem agitada. Fazemos tudo correndo: estudo, vestibular, trabalho, casa, filhos, academia…ate as crianças tem muitos compromissos! Com tanta correria nossa saúde mental fica de lado e passamos a cometer alguns esquecimentos e confusões que pioram nosso rendimento em geral, na escola, no trabalho ou na nossa vida pessoal.

Para isso o CAEPE criou a oficina Memória Viva. Nas sessões serão realizadas atividades diversas e dinâmicas que estimulam a atenção, concentração, percepção, memória, expressão verbal, raciocínio lógico, estimulação visual e espacial, proporcionando uma melhora acentuada nas capacidades de cada indivíduo”.

O site “gogglado” foi:

 

http://www.caepe.com​.br/servico/cursos-e​-oficinas#oficina

 

Mas existem várias oficinas de memória (pagas e gratuitas) para incentivar a criação de técnicas de “treinamento da memoria” .

Hoje não percebemos a necessidade delas (ah! basta colocar avisos na geladeira, anotar no “tablet”,cronometrar atividades…etc).

 

Mas se fizermos apenas isso, a longo prazo não iremos mudar muita coisa.

É como a capsula ou droga na alopatia. Na emergência ou no adoecimento ela funciona bem. Pode salvar vidas.Mas não tem diminuído a prevalência das doenças cronicas degenerativas, uma vez que não trata a causa do sintoma e sim o sintoma pontual.

 

Vamos pensar nisso!

 

Vamos pensar em promoção de saúde e em prevenção.

A Medicina eficaz a longo prazo é a Medicina da saúde e não a Medicina da Doença.

 

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Medicina…sob um novo viés, urgente!

A Medicina precisa de novos rumos urgentemente!

Substituir a visão reducionista que pauta a sua organização (desde as sub e super especialidades que não vêem o individuo como um todo até o emprego de drogas cada vez mais pontuais – especificas para cada sintoma, sinal ou doença, esquecendo que nada nem ninguem está isolado no mundo). Somos agregados de células que interagem numa engrenagem complexa, maravilhosa e única.

E temos nos esquecido disso ao tratar o organismo por partes, catalogando doenças como se fossem independentes do todo e esquecendo que o tratamento direcionado unicamente às partes podem comprometer esse todo!

Além disso a epigenética tem mostrado que o determinismo genético foi e ainda é supervalorizado. Podemos mudar a expressão genética de acordo com o meio ambiente (externo e interno). Onde e como vivemos faz toda a diferença em relação ao adoecer ou permanecer saudável (Ler mais a respeito no livro ” A biologia da crença” do Prof. Dr. Bruce Lipton)

Olhar a Medicina sob um novo viés é mais que necessário …é imprescindivel e tarefa inadiável.

 

Abaixo listo cinco livros importantes e necessários para uma revisão de conceitos (para médicos e leigos) na área da Saúde. Após os títulos, descrições resumidas, apresentações transcritas dos próprios livros, que seguem entre aspas.

 

Medicina Ecológica– descubra como cuidar da sua saúde sem sacrificar o planeta” Dr. Alex Botsaris

“Entre as patologias, que podem ter o ambiente como um fator desencadeante, estão: câncer, ansiedade, depressão, infertilidade, dores na coluna, problemas neurovegetativos e no fígado. A medicina ecológica preconiza que, ao invés de agredir a natureza e o organismo, deve-se lançar mão de técnicas alternativas e de conhecimentos milenares para o cuidado da saúde”.

“Ele nos leva além do entendimento da medicina e da ecologia, e de como o ambiente e a saúde estão interligados. É uma aula de bom senso num mundo que se deixa levar por novidades revolucionárias que duram três dias e por medicamentos que são baseados em moléculas cada vez mais sofisticadas e perigosas (…). E, acima de tudo, mostra que a modernidade que buscamos não está na transformação, mas na conservação da natureza “, Sônia Bridi, jornalista”.

 

A revolução da Medicina” Dr. Paulo Maciel

“Um livro polêmico que questiona a Resolução nº 1.499 do Conselho Federal de Medicina, que resolveu “proibir aos médicos a utilização de práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica”, por considerá-las “à margem do conhecimento científico aceito pela comunidade acadêmica”, além de colocarem em risco “à saúde das pessoas submetidas a procedimentos destituídos de embasamento científico”.

“…E é neste momento de grave crise social de valores que a Medicina Alopática necessita ser repensada, onde a indústria farmacêutica lucra 300 bilhões de dólares por ano em todo o mundo, e mata anualmente, pelos seus efeitos colaterais…

 

“Ecologia Celular” Dr. Carlos Braghini -O papel da alimentação e do meio ambiente no envelhecimento e na longevidade.

“No final do século XIX, estudiosos da embriologia sugeriram a possibilidade de que as próprias células dos tecidos se comportavam como organismos lutando por sobrevivência em um microambiente.
A idéia de Ecologia Celular propõe que o desenvolvimento celular é influenciado pelo meio (ecológica) em oposição aos defensores do desenvolvimento construtivista (determinado pelos genes).”

 

 

Medicina Integrativa– a cura pelo equilibrio” Dr. Paulo de Tarso Lima

“Medicina Integrativa – abordagem que se pauta pela união dos avanços científicos com as terapias e práticas complementares cujas evidencias cientificas comprovem sua segurança e eficácia. Partindo da historia de vida do paciente, de seus hábitos e da análise meticulosa de sua saúde, o médico que adota a abordagem integrativa propõe o plano mais adequado – sempre tomando por base uma visão ampla de saúde e cura”.

 

O Elo perdido da Medicina – o afastamento da noção de Vida e Natureza” do Dr. Eduardo Almeida e Luis Peazê.

“O livro poderia ser resumido no primeiro mandamento de Hipocrates…”primeiro não lesar”. Só isso, contudo, ainda que espetacularmente necessário não tem sido suficiente. A terapêutica, a cura e o próprio relacionamento médico-paciente-arcabouço do sistema de saúde (publica e privada) estãotão longe do ideal quanto mais longe estiverem desse princípio básico”.

“Para o leigo, porque sofre da tendencia de entregar ao médico toda a responsabilidade (e poder) pela cura de sua enfermidade ou mal-estar. Para o médico, porque tende a ceder à medicina oficializada pelo sistema, pelo estado, pelas engrenagens mais duras da sociedade globalizada e da indústria do “farma poder” dependentes do capital”

 

“Manual de sobrevivência do Ser Humano” Dr. Sergio Augusto Teixeira

“…aceitar o desafio de mudar o que está errado. Esta é a proposta do Dr. Sergio Teixeira,que apresenta neste livro o panorama mais amplo da Medicina Ambiental já produzido em nosso país,ensinando-nos a conhecer as doenças e suas causas e ajudando cada um de nós a se situar em harmonia com a natureza mesmo habitando as cidades grandes”

“…nos leva a conhecer as doenças com que nos defrontamos todos os dias para sabermos o que são, como evitá-las e como lidar com elas sem medo”.

O conceito de “raciocínio sábio” e sua aplicação na Medicina

A relação do raciocínio sábio com a maior eficiência no sistema de saúde

 

Uma matéria disponível no Diário da Saúde (link abaixo) fala sobre  o estudo publicado  no Journal of Experimental Psychology (Ethan Kross e Igor Grossmann, Universidade de Michigan) a respeito  de como o distanciamento de uma idéia ou fato pode contribuir para o seu melhor entendimento.

Ela diz que estudos anteriores sugerem que pensar de forma dialética (ao reconhecer que as idéias e certezas de hoje podem mudar amanhã) e assumir uma postura de humildade intelectual (aqui significando a identificação dos limites do próprio raciocínio) são aspectos do que eles chamaram de “raciocínio sábio”.

A matéria informa ainda que Kross já havia demonstrado que “a adoção de uma perspectiva egocêntrica – imaginar que os eventos estão se desdobrando imediatamente à sua frente – faz com que processemos a informação de forma diferente do que quando adotamos uma perspectiva distanciada – ver-se como um observador distante dos acontecimentos”.

Utilizando o mesmo raciocínio podemos entender porque a prática médica atual, centrada na especialização cada vez mais freqüente (e mais cedo) do profissional da saúde, pode ser responsabilizada pela sua menor assertividade. O tempo gasto na identificação do diagnóstico e os custos envolvidos neste processo comprovam a falta de eficiência desse tipo de olhar. Mostra que deixamos de ver o quadro geral e nos fixamos no detalhe.

É o que acontece, por exemplo, quando um cardiologista opta pela troca da medicação de um paciente, desconsiderando o fato da droga em uso servir tanto para a hipertensão arterial quanto para a sua enxaqueca (migranea). A troca, mesmo baseada em evidencias clinicas recentes a favor de medicação nova, não leva em consideração outros fatores importantes na manutenção da saúde desse individuo. Assim ele voltará a se queixar de dor de cabeça e ao sair do seu equilíbrio anterior irá buscar em outros especialistas (pelo menos o neurologista e o oftalmologista) a causa do sintoma que voltou a incomodá-lo.

Ou ainda quando deixamos de pensar no mais simples e buscamos o diagnóstico menos provável antes de esgotarmos as outras possibilidades apenas porque ignoramos dados importantes de anamnese ou exame físico. Isso por que nossa visão acurada do micro embota o reconhecimento de pequenos (grandes) detalhes do macro que apenas surgem com o distanciamento do foco sob pesquisa. Na (super)especialização acabamos perdendo a capacidade (e/ou habilidade) de reconhecer o todo, definido pelo conjunto de muitos detalhes mas que para ser colocado em perspectiva exige distanciamento. Por sua vez, o generalista não é capaz de estimar esses mesmos detalhes com a precisão do especialista.

Por outro lado, os sistemas de saúde que privilegiam o generalista e exigem que o encaminhamento do indivíduo ao especialista só aconteça por intervenção do “clinico geral” (como em alguns países) pecam da mesma forma (maior tempo na identificação do diagnóstico), mas por não serem capazes de ver o detalhe em meio ao todo. Falta o treinamento do especialista, sua capacidade de “pinçar” “o” aspecto particular que o diferencia do geral.

Os dois (generalista e especialista) são necessários, mas numa avaliação simultânea, não em momentos diferentes, como costuma acontecer. Isso nos pouparia tempo e dinheiro além de, ao aumentar a eficiência do sistema, ser capaz de lidar com a demanda gerando maior satisfação do usuário e evitando o colapso dos serviços de saúde.

Equipe multidisciplinar é sinônimo de um atendimento mais eficiente!

Medicina não é mais (se é que algum dia já foi, de verdade) uma profissão com assinatura individual. Aqui não deve existir atividade “solo”. Deveríamos estar e pensar em grupo, médico generalista e especialistas reunidos num mesmo espaço, uma policlínica (não apenas no nome, mas de fato) privilegiando uma visão integral da Medicina. A saúde muito agradeceria!

 

 

Informação como ferramenta essencial na prática médica!

 

“Information is the life-blood of the health care” A informação é a espinha dorsal (parte fundamental) do cuidado em saúde.

Li essa frase hoje no tweeter, postada por Hoyt Finnamore  e atribuida a Joshua Seidman,PhD  no evento “Mayo alumni meeting” (Clinica Mayo setembro 2011) .

É senso comum que a informação é ferramenta imprescindível para a educação em saúde. E hoje, mais do que nunca ela se faz necessária. Estamos numa cruzada médica contra a prevalência crescente das doenças crônicas degenerativas, a favor da qualidade de vida.

E comentários que pipocam aqui e ali sobre novas descobertas na área da saúde são absorvidos com avidez pela comunidade leiga. Quase todos os canais de TV (aberta e a cabo) têm um ou mais programas voltados para o esclarecimento das questões de saúde.

Nunca é demais lembrar que o consenso em Medicina e Saúde está longe de existir. Cada dia um novo dado alimenta o conhecimento e faz reavaliar normas e orientações. Penso que quando a informação sobre saúde é veiculada, o leigo deve ter acesso a opiniões diferentes sobre o mesmo assunto, no mesmo canal de informação (revista ou blog ou site) e de preferência a menção deve ser feita no mesmo artigo comentado. Essa informação é necessária para que ele entenda o processo que leva o médico a decidir, caso a caso, a melhor opção a cada momento.

E entenda que há necessidade de revisar os protocolos, periodicamente, para melhor cuidarmos da sua saúde.

Li um comentário a respeito de como a reposição do estrogênio em mulheres na menopausa beneficia a circulação sanguínea cerebral. O tratamento diminuiria a resistência das artérias e permitiria maior fluxo de sangue, que poderia estar associado a uma melhora da memória, segundo os autores. A matéria foi correta quando mencionou que ainda existe falta de consenso a respeito do beneficio da reposição hormonal em mulheres (climatério e/ou menopausa). No entanto apontou o achado a respeito das artérias cerebrais como um fator positivo provável.

Mas a vasodilatação cerebral percebida não autoriza inferir que a médio e longo prazos ela se apresentará como um ganho real no conjunto orgânico que significa o individuo e suas potencialidades de adoecimento.

O leigo fica confuso com informações dispares (opostas) sem a menção e comparação entre elas (em relação a riscos e benefícios a curto, médio e longo prazos). Ele precisa aprender as opções reais em cada caso e o que esperar delas. A escolha mais acertada, a cada momento depende da interação do leigo com o seu médico. E o que a comunidade médica pensa e discute pode e deve ser discutida fora do meio acadêmico sim, mas com todos os seus vieses. Apenas uma versão destacada (e isolada do conjunto) informa sim, mas não atinge o propósito maior de tornar públicos prós e contras de cada intervenção médica para que possamos ser mais assertivos nessa intervenção tentando estabelecer caso a caso a melhor estratégia terapêutica.

Aqui faço um “mea culpa”. Tenho comentado oftalmologia num blog destinado a leigos. Mas não tenho feito, em toda oportunidade apresentada, a contraposição que sugeri aqui. Muitas vezes apresento apenas a minha forma de ver a questão. Sempre me pareceu que, como disponibilizo links para outros sites que complementam ou mesmo apresentam uma visão diferenciada da minha a respeito do mesmo tema, conseguia (ou esperava) cumprir com o propósito de bem informar. Mas percebi que a apresentação, mesmo resumida, das divergências de opinião a respeito do cuidado medico é mais útil e eficaz em seu propósito de estimular o leigo a entender e ajudar o seu médico a cuidar melhor da sua saúde.

A discussão pública da saúde e de como é produzido (e conduzido) o conhecimento médico sobre ela pode fazer diferença significativa na administração desse saber e na condução das práticas que visam modificar para melhor os índices de saúde e qualidade de vida da população.

Sobre médicos e Medicina

 

 

“Ser Médico & Ser Humano” Dr. Décio Iandoli Jr. Ed FE Editora Jornalística  SP, 2009

 

Um livro pequeno,111 paginas, de leitura fácil,que fala da difícil arte de se relacionar com o individuo doente e sua família. É dessa relação que surgem as possibilidades terapêuticas, o conforto e a qualidade de vida possível, caso a caso. Muito feliz, transparente e de muita sensibilidade, a narrativa do autor nos coloca frente a frente com o médico como sujeito de uma relação que, estabelecida com base na humanidade e capacidade de doação do profissional de saúde, além da necessária competência, claro, cumprirá o ideal médico, integralmente: confortar e aliviar o sofrimento de quem já não pode ser curado; cuidar do doente e reverter a doença tratável, mas acima de tudo, ensinar e ajudar o individuo a se manter saudável!

 

Trechos do livro:

“…relação médico-paciente… uma relação humana extremamente importante, geralmente intensa e muitas vezes conflituosa – pois se estabelece em momentos de crise, nos moldes de relações comerciais destituídas de uma característica fundamental,ou seja, o amor ao próximo,a confiança, o respeito mútuo e principalmente a priorização da vida e da saúde, que não são, absolutamente, mercadorias.”

“… parece-me que o lado sobre o qual mais precisa ser meditado é o do médico, já que se modificarmos a sua formação profissional, imprimindo um cunho humanístico e espiritual, determinaremos uma diminuição das distorções que observamos no cotidiano e que evidenciam o despreparo total para enfrentarmos a própria morte e, conseqüentemente, o despreparo par orientar a morte do outro.”

“A relação mercantilista que rege a área da saúde, hoje, promove uma visão distorcida do paciente consumidor, do paciente como fonte de renda ou, ainda, o que é bem pior, do paciente como um “inimigo.”

“… o paciente deveria ver o médico como alguém que pode e quer ajudá-lo, e não como um simples “prestador de serviços.”

“Tanto a onipotência médica quanto a “entrega” por parte do paciente são sentimentos que não devem existir na relação médico-paciente, pois a cura depende do paciente.”

 

Um artigo escrito por outro médico, Dr.Neuci Cunha Gonçalves,sob título “Ética e Bondade no Ato terapêutico”, postado (na íntegra) em http:://www.arzt.com.br/DetalhesArtigos.aspx?cid=9&AID=23 expressa muito bem o desejo da maioria de nós, médicos, de ajudar a fazer uma Medicina de maior qualidade e afinada com o desejo do indivíduo que, já fragilizado pela doença nos procura. Aliviar a sua dor física e emocional e seus medos além de sermos interlocutores eficazes na relação deles com seus familiares nos momentos críticos de suas vidas. Ele, Dr. Neucir fala:

“Cada médico há que fazer uma constante auto-crítica de sua prática terapêutica… e não nos esqueçamos nunca que a premissa maior para que a prática médica seja de boa qualidade é que o ato terapêutico esteja, antes e acima de tudo, alicerçado na ética e na bondade.”

Espero estar contribuindo para resgatar o ideal e a figura do médico ao levar ao conhecimento do público leigo o pensamento (endossado pela prática) de alguns profissionais brasileiros que vivem a Medicina que todos gostaríamos de ver difundida. Aquela que aproxima o médico do doente, irmãos em humanidade, unidos na dor e no medo, caminhando juntos, lado a lado, no enfrentamento de suas mazelas.

Como eles, autores conhecidos de alguns, existem milhares de outros médicos, anonimos em sua virtude no exercicio dessa Medicina possível. Que eles possam se sentir gratificados e plenos,sempre e que continuem a enaltecer essa que é uma das mais antigas profissões. E seguramente uma das que dão ao individuo que nela labuta a oportunidade de sentir intimamente a alegria da doação ao outro.

Poder ver a recuperação de um enfermo e a gratidão expressa no seu olhar, na sua atitude, não tem preço. Assim como o amor de mãe é incondicional, a valorização da vida e do bem estar do individuo doente é paixão incondicinal do médico que ama o que faz.

 

 

Prevenção das doenças crônicas – um investimento vital (OMS)

“Prevenção de doenças crônicas – um investimento vital”

Este é o título de um programa da OMS referido no livro “Prevenção de doenças do adulto na infância e na adolescência” Dr. João Guilherme Bezerra Alves e Dra. Magda Carneiro-Sampaio – Ed. Medbook RJ, 2007

Seguem alguns trechos deste livro que deveria ser referência para todos os que acreditam na possibilidade de mudar o cenário das doenças crônicas no país e no mundo, através da informação e da educação da população. É através da mulher, essencialmente, que a mudança pode ser feita. Mãe e cuidadora, a mulher surge no âmbito da prevenção como a figura capaz de implementar no núcleo familiar  as mudanças necessárias para a modificação da prevalência das doenças degenerativas crônicas entre nós.

Ela, mulher, ainda desconhece a sua importância na prevenção das doenças futuras de seus filhos e netos. Não foi informada da magnitude da responsabilidade da maternidade consciente. Ainda que ainda lidemos com urgencias básicas como  a gravidez na adolescência, precisamos ao mesmo tempo difundir a informação a respeito da capacidade de diminuir gradativamente a prevalência das doenças crônicas entre nós a partir do aconselhamento das gestantes de hoje e das mães de crianças e adolescentes. Informar para educar e conscientizar!

Os autores falam da necessidade da gestante prover adequada nutrição do feto, evitando o baixo peso ao nascer e a prematuridade fatores de risco importante para o desenvolvimento futuro (idade adulta) das doenças crônicas como o diabetes, a hipertensão, o infarto e o AVC.

Eles informam que                                      “… os sete dos maiores riscos à saúde (hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia,obesidade, sedentarismo, baixo consumo de frutas e legumes, alcoolismo e tabagismo)  são condições intimamente ligadas a escolhas de vida e correspondem a mais da metade do impacto mundial de doenças, medido na média em anos de vida com a doença”.

E ainda falam da necessidade da implementação de ações em áreas diferentes e complementares do nível primário de atenção à saúde. Sugerem utilização de recursos da comunidade, ONGs, implantação de programas de exercícios coletivos, reuniões de auto-ajuda e suporte para o cuidado para com a própria saúde.

Outros trechos:

“Os pacientes devem ser estimulados e educados para o auto-cuidado”

“A promoção de saúde permite que as pessoas adquiram maior controle sobre a sua própria qualidade de vida. Por meio da adoção de hábitos saudáveis, não só os indivíduos, mas também seus familiares e a comunidade se apoderam de um bem, um direito e um recurso aplicável à vida cotidiana.”

“Mudanças de maus hábitos à saúde já instaladas na vida adulta são objetivos difíceis de alcançar devido à fraca aderência da população-alvo”

“Esses hábitos devem ser adquiridos desde a infância”

“Além disso é na escola que os programas de educação e saúde podem ter a maior repercussão beneficiando os alunos desde a infância”

Mulheres: Busquem mais informação, peçam orientação a seus médicos, criem grupos de discussão na família e na comunidade! Assim estaremos dando um enorme passo à frente no controle das doenças crônicas e agregando qualidade de vida à longevidade de hoje.

A epigenética e o destino biológico

Discutindo a relação mente/corpo

O determinismo genético tem sido posto à prova desde sempre. Mas hoje, é universalmente reconhecida a importância do ambiente interno (mente) e externo (família, comunidade e meio ambiente) no desenvolvimento das doenças. A epigenética tem evidências concretas a respeito da capacidade de modificar a influência do código genético e com isso evitar o adoecimento. Em palavras da própria ciência, existiriam muitas variáveis capazes de influenciar e mesmo evitar a expressão de determinado gen causador desta ou daquela doença.

Trocando em miúdos, o fato de ter herdado a carga genética do diabetes mellitus ou do câncer de mama, por exemplo, não significaria certeza de vir a manifestar a doença. E aqui não me refiro à herança possível de quem tem um pai, mãe ou avós portadores da doença em questão. A observação é a respeito de indivíduos comprovadamente portadores dos gens “defeituosos”, potencialmente responsáveis por estas doenças.

Será que temos consciência da importância desta afirmação? Um grande passo à frente foi dado em relação ao controle do adoecimento.

Uma fala comum nos consultórios é aquela do individuo que ouve o seu diagnóstico expressando a certeza da sua inevitabilidade: “Ah…mas essa doença é comum na minha família…meu pai teve, meu irmão também…um dia tinha que acontecer comigo”

Como se fosse a única realidade possível!

A neuropsiquiatria tem se desenvolvido bastante na última década e com tecnologia de ponta vem produzindo evidências científicas de padrões bioquímicos comuns a várias manifestações de desorganização emocional (como na esquizofrenia, na bipolaridade, no transtorno do déficit de atenção /TDAH,entre outras). Têm sido evidenciados e estudados estes padrões distintos e, portanto não podemos dissociar mente e corpo como sugerem alguns. Ambos se submetem a códigos bioquímicos mutáveis e interdependentes.

Mas utilizando a analogia proposta, vejamos como o contrário pode ser pensado: a idéia (mente) sendo capaz de produzir alterações nas células do organismo, mudando o padrão de adoecimento. Há muito se sabe da influência da mente sobre o adoecimento do corpo. Além disso, o vemos o efeito placebo sendo validado pela comunidade cientifica, a prece ou oração sendo estudada (Universidade Johns Hopkins) como fonte de reequilíbrio orgânico e restabelecimento rápido em doentes hospitalizados. Então temos todo o conhecimento necessário para induzir modificações na herança genética e influenciar positivamente o desenvolvimento, melhorando a qualidade de vida.

A ancestral Medicina Chinesa com suas áreas de representação orgânica (o fígado fala da raiva, o rim do medo, p.ex.) e a iridologia mostrando a possibilidade do organismo sinalizar a característica emocional do individuo e a fragilidade de cada sistema nela representado…são alguns de muitos outros vieses possíveis. São tantas as direções que apontam para o entendimento de cada forma de adoecer, de distinguir um individuo do outro em sua mazela física que é improvável que utilizando essas ferramentas não sejamos capazes de nos anteciparmos às doenças crônicas dos quais somos vítimas quase todos na idade adulta (na melhor das hipóteses).

Interessante é a perspectiva da doença antecipada quando dizemos que “o corpo avisa que vai adoecer”, ”o corpo fala”. É uma verdade. E nesse estágio ainda temos o controle e podemos evitar a organicidade da doença, isto é, conseguimos reverter o dano e impedir sua “cronificação”. Onde aí sim a injúria ao tecido, a lesão ao órgão e a incapacidade de se manter a não ser com ajuda química (medicação).

Mas para isso, uma vez detectada a causa devemos ser capazes de mudar o estilo de vida e os hábitos que estão contribuindo negativamente e levando ao desequilíbrio. Insistir é bobagem e garantia de lesão futura. A única dúvida é em relação ao tempo que levará para cada um de nós termos que encarar a doença instalada.

Temos a faca e o queijo nas mãos. Então porque o aumento na prevalência das doenças crônicas? Porque é tão difícil para nós introduzirmos as mudanças necessárias para mudar este cenário?

Porque é tudo é ainda muito novo para a maioria de nós, porque é mais difícil introduzir novos hábitos na idade adulta ou porque é mais fácil deixar a vida nos levar (como no samba…) pra ver como fica depois?

Se alguns de nós deixamos de ver o conjunto e perdemos a perspectiva, os outros devem nos ajudar a reencontrar o “norte” e retomar a responsabilidade de cuidar da melhor forma do corpo que carregaremos até o fim desta jornada.

Uma parcela da comunidade cientifica (ainda pequena, mas bem representada) e alguns organismos públicos (nacionais e internacionais) tentam há pelo menos duas décadas mudar esse cenário. É um trabalho pesado, uma luta diária que precisa ser dividida com cada indivíduo. Cada um de nós tem papel importante na estruturação e implantação das mudanças necessárias.

Vamos nos juntar, somar para fazer a diferença. Como já disse Ghandi, “a única revolução possível é dentro de nós!”

Alzheimer, o que estamos deixando de ver?

 

Prevenção da doença de Alzheimer (DA):

 

-Aumento da atividade aeróbica

-Adoção de dieta mediterrânea

Estímulo das tarefas cognitivas

 

É assim, sem intervenção farmacológica, apenas com mudanças no estilo de vida que obtemos efeito protetor em relação à DA. Este é o protocolo a que indivíduos portadores do gen especifico para a DA são submetidos na intenção de retardar o aparecimento dos sintomas enquanto não surgem drogas capazes de reverter o processo já iniciado ou mesmo “vacinas” com fatores químicos de proteção  contra a doença.

Nesta família que vem sendo estudada há algum tempo, um menino com menos de 15 anos foi diagnosticado com DA clinicamente estabelecida. A gravidade dessa observação ainda não foi tratada como deveria, tanto pelos médicos quanto pela mídia cujo papel é esclarecer e informar a população. A comunidade científica tem a DA como uma de suas prioridades, mas qual o custo futuro da falta de organização da sociedade em relação à demência, se o tempo não conspirar a favor dos nossos cientistas? Todos temos um papel nas catástrofes que nos atingem. O meio ambiente nos lembra sempre as nossas faltas. As tragédias das enchentes (cada vez mais freqüentes aqui no Rio) são um exemplo. O aumento da resistência à insulina e o diabetes tipo 2 , além da obesidade tomam proporções trágicas também.  É difícil hoje que qualquer um de nós possa dizer que entre seus familiares diretos (avós, pais, tios ou irmãos) não exista sequer uma pessoa diagnosticada com diabetes tipo 2. E querem saber de uma novidade? Cogita-se no meio acadêmico que a resistência à insulina (cerebral) possa ser um dos gatilhos da doença que leva à demência. A hipótese levaria à identificação do diabetes tipo 3 (cerebral) que aceleraria o processo da perda da memória no Alzheimer, um dos sinais do declínio cognitivo característicos da doença.

Em relação à DA, segundo últimas análises estatísticas, os órgãos de saúde americanos trabalham com a expectativa de que em 2050 existirão  13.5 milhões de pessoas com diagnóstico de Alzheimer.

Conhecidos fatores de risco para a doença, hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia (alteração do metabolismo lipídico) e estresse crôni- co são fatores agravantes enquanto a prática contínua de atividade física (exercícios aeróbicos) aumentaria a reserva cerebral (oxigenação) atuando como fator importante de proteção em relação à demência.

*“Definimos uma estratégia preventiva como a ação que nos permite diminuir o aparecimento de uma determinada doença no nível da popula ção geral”.

*“Medidas de prevenção primária para evitar, numa população saudável, a exposição a determinadas situações que levariam ao aumento da prevalência da doença. Assim se reduziria a possibilidade de aparecimento desta determinada doença entre aqueles indivíduos. Existem também as medidas de prevenção secundária cujo objetivo é diagnosticá-la em estágios iniciais contribuindo para uma maior qualidade de vida desses individuos.”

Considerando que ainda não existe cura para Alzheimer, as campanhas informativas a nível da população geral poderiam auxiliar na diminuição da incidência da doença a médio e longo prazos, através de outro viés, orientando quanto às possíveis estratégias que poderiam retardar ou inibir o aparecimento da doença: educando sobre os fatores protetores em relação à DA.

*conceitos extraídos da série “Médico em casa”,Editora Plátamo (Lisboa)

Por que alguns adoecem mais do que outros?

Destino biológico, uma via de mão única?

 

Por que alguns adoecem mais do que outros?

 

A vida se manifesta em nós de forma absolutamente distinta. Somos biologicamente diferentes uns dos outros. Mesmo gêmeos univitelinos têm identidades bioquímicas e celulares diferentes.

Aliada à organicidade única, os indivíduos diferem também quanto ao temperamento e personalidade. Se expandirmos esse raciocínio, as muitas variáveis e possibilidades de combinação dessas características seriam infinitas.

Aonde quero chegar?

O que tento lembrar é que somos tão diferentes uns dos outros que me parece “non sense” pensar a Medicina de forma tão linear e ter fórmulas terapêuticas únicas para cada doença manifestada em indivíduos tão diferentes entre si.

Todas as áreas do conhecimento humano possuem uma dinâmica própria. Nenhum conhecimento é imutável, verdade absoluta para sempre. Mas especialmente a Medicina deve ser vivida como fonte de conhecimento que evoluiu tremendamente nas últimas duas décadas, mas que ainda acumula mais dúvidas do que certezas.

Aprendemos todos os dias vivendo a Medicina como ela é: uma arte! Arte de ouvir, questionar, intuir, descobrir,duvidar, mas antes de tudo, a arte de se comover tentando entender o funcionamento e ajudando o organismo a retomar o seu equilíbrio.

Sob esse aspecto, os consensos médicos atuais priorizam a universalidade estatística dos sintomas e sinais. Esquece de (antes de tudo) tentar entender como e porque aquele indivíduo (em especial) adoeceu.

A genética expõe as possíveis e prováveis áreas de risco, mas a imprevisibilidade da instalação ou não da doença depende mais (ou em igual proporção) do temperamento do indivíduo, das condições em que ele vive e do seu estilo de vida (ambiente familiar, clima, hábitos alimentares, atividade física). É o que a epigenética nos tem ensinado: que o determinismo genético não é a verdade médica absoluta! Como diz o ditado: “Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”. E a Medicina é um grande e complicado quebra-cabeças!

Mas a verdade é que estamos mais doentes do que nunca. Como já disse antes, vivemos por mais tempo, mas o custo tem sido alto. Câncer, diabetes, obesidade,pressão alta e demência cada vez mais prevalentes entre nós. O que deixamos de ver ao longo do processo de aumento da expectativa de vida? O cientificismo médico tem nos proporcionado vida mais longa, mas…o mesmo não se pode dizer da qualidade de vida. O que deixamos de ver, nós médicos, enquanto nos preocupávamos em tratar infecções, normalizar pressões e taxas de açúcar de nossos assistidos?

Estávamos apenas tratando os sintomas resultado do adoecimento…que poderia ter sido evitado! Seria possível evitar (na maioria das vezes) ou pelo menos minimizar (em muito) a sintomatologia, além de personalizar cada vez mais o tratamento dessas mesmas doenças? Delírio demais? Temos realmente poder para mudar o nosso destino biológico (genótipo)? Mas, acima de tudo, queremos mudar e estamos (mesmo) dispostos a lutar contra nossos impulsos e necessidades de gratificação instantânea, o prazer acima de tudo?

Este é o cerne da questão, a meu ver. É tão mais fácil (e prazeroso) pensar (e agir) aqui e agora, viver hoje como se não houvesse amanhã… Estou falando dos erros alimentares, dos excessos da mesa e do apelo fácil do sedentarismo. A motivação tem que ser do próprio indivíduo. Mas a orientação básica e o estímulo necessário são tarefas do profissional da área da saúde.

 

A medicina psicossomática estuda a relação mente-corpo, mas ainda engatinha. E, enquanto não soubermos como cada um de nós, com personalidades e temperamentos diferentes pode (através do auto-conhecimento e da solução das suas questões emocionais) evitar o adoecimento físico, continuaremos a prescindir das mesmas orientações gerais: dieta, exercício físico e manter ressonância com os bons pensamentos além das técnicas anti-stress.

Nesse sentido é interessante a matéria divulgada no jornal “O Globo” sobre stress e carga genética (genótipo) versus surgimento de doenças (fenótipo). Vale a pena ser lida!

 

Doença: prevenção e tratamento

O medicamento e a estratégia não medicamentosa na condução do tratamento e da prevenção da doença

 

             O medicamento é a arma do médico contra a doença instalada. Ainda assim, seu uso deve ser muito bem avaliado, caso a caso, sob pena de comprometer sob vários aspectos, e de forma permanente, a capacidade de readaptação funcional daquele organismo em que atua. A droga auxilia a iniciativa orgânica de restauração da homeostasia, mas muitas vezes interrompe ou mesmo anula a capacidade de auto-suficiência necessária à manutenção da vida (reações químicas e físicas que se processam ininterruptamente minuto após minuto, dia após dia, ano após ano).

Estes ditos “efeitos colaterais”, se contínuos, podem inibir a autonomia orgânica e além de serem desagradáveis (significarem sinais e sintomas), contribuem para a perda definitiva do controle interno (do corpo sobre ele mesmo). A partir daí necessitamos indefinidamente (por toda a vida) da droga. E como estes efeitos geram outras modificações a longo prazo, cada vez mais precisaremos de mais drogas (diferentes) para controlar cada um destes novos efeitos colaterais. Daí a dependência química (medicamentosa) cada vez maior de que somos testemunhas hoje em dia.

“É um mal necessário!” dirão muitos. Não necessariamente dirão outros tantos. Eu me incluo neste último grupo. Se a cultura da prevenção fosse uma realidade, se pensássemos mais nas soluções mais simples, desde como evitar a doença em vez de pensar apenas ou tão mais a respeito do“tratamento”da doença já instalada, mudaríamos a realidade de hoje.

Os check-ups são necessários, mas não são “preventivos”. Eles são importantes, nos informam mais precocemente sobre as doenças e os estados de desequilíbrio sobre os quais devemos agir para eliminar (ou lentificar) o processo patológico e mudar o desfecho esperado.

Porém, existe um hiato muito grande entre a saúde e a doença. Deste espaço a medicina não se ocupou como deveria. Os exames laboratoriais, por exemplo, são capazes de detectar o que está muito diferente da “normalidade”, do padrão. No entanto, cada vez mais os médicos têm tido que aprender a perceber e lidar com estados sub- clínicos das doenças. Em outras palavras,situações em que o individuo tem sintomas vagos, sabe que algo está errado com ele, que algo mudou e precisa ser “consertado” e o médico não encontra nenhuma anormalidade bioquímica, de imagem ou qualquer outra ligada à propedêutica conhecida (formas de analisar cada doente para se chegar a um diagnóstico).

A evolução do quadro, depois, confirma muitas vezes suspeitas que não puderam ser comprovadas antes, dificultando tomadas de decisão que poderiam ter modificado o desfecho.

Como a saúde exige uma percepção dinâmica e a doença pode ser pontual, nos acostumamos a perceber e definir a doença pelos sintomas que nos afligem. Mas a doença não acontece “do nada”,”sem aviso prévio” ou “da noite para o dia”, mesmo nos processos infecciosos!

Somos expostos aos mesmos vírus (por exemplo), no ambiente de trabalho, no transporte público, nas áreas de lazer. Nas epidemias freqüentamos e dividimos os mesmos espaços geográficos, mas o percentual da população que fica doente é sempre muito menor do que aquele que foi exposto.

Sabemos a resposta: a imunidade de cada um de nós. Esta arma é individual, específica e intransferível (exceto no período de lactação, quando a mãe protege o bebê com seus anticorpos). Sabemos também como ajudar cada organismo a aumentar suas defesas, ou por outro lado, o que leva cada um de nós a perder a capacidade de nos defendermos desses “ataques” diários. Por que não utilizamos este conhecimento em  maior escala para tornar desnecessária a intervenção medicamentosa que a longo prazo modificará o organismo (e não para melhor, com certeza)? A autonomia funcional do organismo deve ser buscada sempre, e em primeiro lugar!

Qualquer dependência física ou química deve ser rejeitada em benefício de melhores resultados em relação à manutenção do estado de saúde.

           

A intenção não é polemizar, apenas informar.